Como emagreci 15Kg sem dieta

 

Oiê pessoal!

Aposto que o título já deixou muita gente curiosa… rs

Então minha gente… talvez seja uma boa ideia falar um pouco sobre o tema “perda de peso”! Certamente muita gente deve estar curiosa para saber como foi que eu perdi 15 quilos sem fazer dieta alguma, não é mesmo?

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Mas já aviso de antemão: se vcs estão esperando que a minha história siga aquele clichê que estamos acostumados a ver por aí, de ex-gordinhas que um belo dia decidiram fechar a boca, começaram a malhar a la Pugliesi, ficaram saradérrimas e viveram felizes para sempre, sorry! Minha história definitivamente não é nenhum conto de fadas e meu corpo ainda pede um belo de um fotoshop. Enfim! Acho que de qualquer maneira, vcs irão gostar! A história é longa! Afinal de contas, a manutenção de peso faz parte de todo um processo e de uma história de vida. E faço questão de contar tudinho para vcs desde o começo. Senta aí que lá vem história !!!

Ah! Antes de eu começar, um aviso aos nutricionistas e preparadores físicos de plantão: não me deêm bronca! Fiz tudo errado no começo, exatamente como qualquer mero mortal que acha que para começar a correr… basta correr! É só dar uma de Forest Gump e boa. Hoje sei da importância de um acompanhamento profissional! Mas como a ideia aqui é relatar a minha história, vamos que vamos!

A verdade minha gente, é que sempre me mexi. Minha vida toda. Fiz ballet durante anos! E mandava bem pra caramba! Dançava até “Pas de Deux”. Pesava 47 Kg com 1,66m de altura. E gente… minha perna parecia uma tora de tão forte. Corpo super denifido. E o melhor de tudo: comia o que eu queria! Dizem que quando vc é magro na infância, suas células criam uma espécie de memória e vc acaba adquirindo uma certa tendência a ser magro na vida adulta… vcs já ouviram falar sobre isso? Pois bem… li isso em algum lugar. Portanto, vamos levar em consideração que a minha fisiologia já seja um pouco mais favorecida que a da maioria das pessoas… ponto para mim aqui!

Aos 17 anos fiz um intercâmbio nos EUA. Vivi fora do país por um ano e engordei 15Kg. Gente… Comi tudo quanto é junky food que vcs possam imaginar e me diverti a beça. Quando voltei para o Brasil emagreci de novo de maneira muito fácil. A base de puro arroz com feijão. Mas nunca mais fui magra como era antes. Mantive uma média de 55 Kg. Claro: ainda era bem magra! Mas vareta nunca mais! Quando vivemos na Alemanha, entre 2005 e 2006, voltei a engordar 10 Kg. Sabe … Eu adoro conhecer a culinária dos países que costumo visitar e como tudo o que vejo pela frente! Sem titubear! Acho que até na China, se um dia eu tivessse a oportunidade de ir para lá, eu iria provar de tudo! Sou realmente curiosa para conhecer os sabores de cada país e acredito que a culinária é uma expressão cultural sem igual! Não perco por nada! Mas de novo… voltei para o Brasil e emagreci! Mantive a média dos 55Kg. emagreca-comendo-arroz-e-feijao-dieta-simples-e-nutritiva-610x300-1

Quando ingressei no mercado de trabalho para valer, começei a sentir pela primeira a real dificuldade de manter a forma. Trabalhar sentada 8h por dia é terrível! Nessa altura do campeonato, já tinha trocado as aulas de ballet pela academia. Peguei gosto por fitness, corrida, natação e spinning. Começei a fazer corridas de rua de 5 ou 10K e provas de natação, como travessias de 2K ou provinhas de master (100m crawl ou costas).

Aos 27 anos engravidei. E foi aí que o negócio desandou. Engordei 10Kg durante a amamentação devido a uma anemia severa e nunca mais emagreci. Durante cerca de 6 anos, meu peso médio passou a girar em torno de 65 Kg, distribuídos em 1,66m de altura. Gente, vamos combinar: eu não era gorda. Digamos que era fofinha! E juro: não me sentia incomodada. Claro… sentia que podia emagrecer, mas ok… nada crítico. O meu maior problema não era o peso em si mas sim o fato de eu estar completamente sedentária. Sempre gostei de me mexer e estava muito frustrada por estar parada.

Quanto a alimentação, o que dizer… no dia à dia, sempre comi de maneira muito balanceada e em pequenas porções. Minha dieta é constituída basicamente arroz, feijão, carne ou frango e uma salada. Tudo feito com pouco óleo de maneira caseira! Vamos combinar: A comida brasileira é deliciosa e muito rica em nutrientes. É só não abusar das frituras! Fora isso, ainda tenho algumas vantagens a meu favor que não posso negar: não sou chegada em doce e não ligo para refrigerante. Gosto de frutas e suco natural. Por outro lado, confesso que gosto de pão branco, salaminho e queijo prato. Adoro hambúrguer, pizza e batata rita! Nunca fui de controlar miudezas.

A verdade minha minha gente é quando a gente vira mãe, depois dos 30 anos, enfrentando intensas jornadas de trabalho e longas noites em claro, que metabolismo não entra em colapso!?

Bom… durante os 5 primeiros anos de vida da minha filha, tentei inúmeras vezes voltar a treinar mas nunca consegui. E o meu problema não era preguiça, falta de vontade ou indisposição. Afinal, sempre fui atleta e sempre adorei me mexer. O meu problema era o meu coração. E não estou falando de problemas cardíacos nem nada disso. O problema era o meu coração de mãe…download

Imagina. Minha filha ficava no berçario período integral. Entrava as 7h da manhã e saia as 6h da tarde. Para poder ir treinar, minha única alternativa era deixá-la aos cuidados de alguém por cerca de mais duas horas a noite. E eu simplesmente não tinha coragem de fazer isso. Não estou aqui para julgar nenhuma mamãe, de verdade, eu adoraria ter tido cabeça para aceitar o fato de que esse era o único jeito para eu poder cuidar de mim mesma, nem que fosse só um pouquinho. Duas vezes por semana. Mas eu não conseguia aceitar. Eu saia do trabalho completamente louca para ver minha filha de novo, pegá-la no colo e sentir aquele cheirinho delicioso que só ela tem. Eu não conseguia lidar com a culpa. Na minha cabeça isso era inaceitável. Acredito que nos primeiros anos de vida do bebê nós mulheres enfrentamos uma overdose muito grande de hormônios. Vivemos para os nossos filhos integralmente. Eu lembro que abria fotos da minha filha no computador do trabalho e chorava de tanta saudade. Hoje minha filha é bem mais independente e consigo administrar um pouco melhor o meu coraçãozinho. Mas não completamente. A verdade é que desde que ela entrou na minha vida, as coisas mudaram. Me preocupo a todo momento com o seu bem estar e sua segurança. Na verdade eu tive que aprender  a lidar com esse sentimento e administrá-lo, afinal de contas não posso deixá-la crescendo em uma bolha.

Com o passar do tempo, eu havia notado que  o cessar dos treinos estava afetando diretamente o meu sistema imunológico, que vivia sempre fraquinho. Eu vivia resfriada. Além disso eu também tinha picos de muito stress, especialmente no trabalho. Em casa, a minha relação com o meu marido começou a ficar afetada também … tinha pouca paciência e brigava por qualquer coisa. Enfim, tudo ao meu redor começou a degringolar.

Foi então que na virada do ano de 2014 para 2015 eu decidi que precisava mudar. Viviamos no México e eu estava pesando 70Kg. Minha filha estava com 5 anos. Eu me sentia feia. Triste. Gorda. Sem saúde. Mau humorada. Estávamos passando as férias de final de ano na Cidade do México, hospedados em um hotel Mariott super bacana no charmoso bairro de Polanco. Refleti muito. Já havia percebido que a mudança tinha que partir de mim. Li em algum lugar que motivação é uma chave que só abre de dentro para fora e isso é mais pura verdade. Podemos nos inspirar em outras pessoas mas a motivação vem de dentro. Imagina: Eu tenho um marido Ironman vivendo ao meu lado a 18 anos e ele nunca havia conseguido me influenciar a fazer thriatlon. Claro, eu sempre o admirei muito, mas nunca havia seguido os seus passos.

Foi então que em 1 de janeiro de 2015 as 8h00 da manhã eu dei a minha primeira corrida de meia hora na esteira do hotel em um speed de 7, após anos de sedentarismo. Mesclando com caminhada, é lógico! Minha perna coçava. Acho que por causa da circulação sanguínea. E eu não conseguia parar de pensar no café da manhã delicioso que estava postergando. No começo, precisei de muito auto-controle para não desistir. Principalmente porque os resultados não vieram rápido. Começei a frequentar a academia quase que diariamente e não descia da esteira ou da bike antes de completar 60 min. Era tipo um TOC sabe? Transtorno Obsessivo Compulsivo? E confesso que até hj faço isso: não desço do raio da máquina até ver diante dos meus olhos um maldito 6 seguido de um maldito 0. download (1)

No primeiro mês emagreci 500g. Quase chorei de tanta decepção. E de quebra fiquei gripada pois decidi que ia fechar a boca para poder acelerar todo o processo e tudo o que eu consegui foi uma queda exponecial de resistência. Óbvio que não fiz acompanhamento nutricional nenhum. Fui radical. Parei de comer. Mas depois que fiquei gripada decidi mudar a estratégia. No segundo mês, decidi não fazer dieta e seguir somente com os exercícios. Pensei comigo: “Gente, esse negócio é pura álgebra: tudo o que entra tem que sair, certo? Portanto, se vou comer mais, vou ter que treinar mais!”. Faz sentido não faz? Daí para frente começei a aumentar o volume de treino. Sempre que pisava na academia, fazia no mínimo 2h de exercício aeróbico. E sempre cross training, para não enjoar. Natação com corrida. Pedal com zumba. Corrida com Body Combat! Qualquer negócio! Tomava um gel de carboidrato entre um exercício e outro para aguentar o tranco e ia embora!

Foi então que a partir de fevereiro de 2015 o meu metabolismo foi aparentemente re-ativado e daí em diante começei a perder uma média de 1 a 1,5kg por mês. Sem dieta ! E pessoal, quando eu digo sem dieta, não quer dizer que eu enchia o panceps de McDonalds. Comia comida. Mas não ficava regulando. Se tinha fome, comia mais! Se estava a fim de comer um salame no lugar do peito de perú, comia numa boa. Claro… procurava manerar, principalmente de segunda a sexta, mas sem stress. Passar vontade, nunca passei. Até começei a comer um pouco mais de doce. E percebi que com o treinos, já não tinha mais tanta vontade de fritura e cerveja. Foi meio que uma consequência do processo.

Em agosto de 2015 eu havia finalmente atingido a minha meta: 59Kg. Perdi 11 Kg em 8 meses. Fiquei extremamente feliz. Foi um longo processo e eu havia conseguido! O melhor é que já não corria o risco de sofrer o efeito rebote, pois perdi peso pouco a pouco de maneira muito saudável e constante.

Uma vez atingida a meta, é aquele negócio: começei a buscar novas metas! E foi então que parti para as provas de endurance, também conhecidas como provas de longa distância. Nessa altura do campeonato, já estava treinando cerca de 10h a 12h por semana. Era um negócio insano. Fico pasma de ver como o nosso corpo é capaz de tolerar exercícios de alta intensidade. Sempre fui muito menininha, toda delicada e jamais imaginei que um dia poderia encarar uma meia maratona ou 100k de pedal. Quem diria né ? download

Hoje tenho outros objetivos. Já estou pesando 55Kg e sinto que está bom do jeito que está. Sei que para poder manter esse meu peso, terei que fazer um alto volume de exercício para o resto da vida pois me nego a fechar a boca. Adoro poder comer o que eu tenho vontade sem maiores preocupações. Não tenho um metabolismo privilegiado. Mas posso falar: para mim não é nenhum sacríficio treinar feito uma louca! Estou adorando a minha nova vida de atleta e não quero parar nunca mais!

Meu corpo está bem longe do padrão de beleza ideal. Não puxo ferro tanto quanto gostaria e sem isso não tem como definir a musculatura. Mas não me importo. Estou muito feliz com o meu corpo da maneira como ele é hoje. Tenho um pouco de barriga e de estrias. Carreguei uma criança no meu ventre por 9 meses e não tenho mais 25 anos. De qualquer forma tenho orgulho da minha história e me sinto realizada por ter chegado até aqui. Voltei a me sentir bonita. Já não pego uma gripe a mais de 1 ano e já não vivo estressada como antes. O exercício físico é algo essencial na minha vida e me trouxe benefícios que foram além da boa forma.

Mas é isso aí pessoal. Essa é minha história.

Sei que a grande maioria dos programas de perda de peso orientam as pessoas a realizar uma rotina moderada de exercícios físicos juntamente a uma dieta de cerca de 2000 cal por dia para as mulheres, tudo a base de pão integral, peito de peru e requeijão light. Mas a ideia aqui é pensar fora da caixa. Ousadia! Para aqueles que adoram os prazeres de uma boa culinária e não abrem mão disso, os esportes de endurance podem vir a ser uma excelente alternativa para perda de peso. Vai que vcs pegam o gosto pela coisa! Aí ninguém segura mais!IMG_2954

Só não façam a loucura que eu fiz: busquem uma orientação profissional antes de começar para não se machucar. As consultorias esportivas dão todo o apoio e instrução necessários para quem quer entrar para nossa turma de loucos! Mas eu garanto: qualquer um é capaz! Basta ter cabeça e força de vontade!

Beijos e até a próxima