Das classes de spinning para as bikes de estrada

Oiê pessoal!

Hoje decidi falar sobre um tema que pode ser de interesse dos amantes de spinning que estão aí se degladiando com a ideia de comprar uma bike de road, também conhecida no Brasil por bicicleta speed. Sabe aquelas do pneu mais fininho? Então, essa mesma. Não sou nenhuma expert em ciclismo, pelo menos não ainda, mas acredito que muitas pessoas vão se identificar com os meus conflitos internos relacionados a essa tomada de decisão. Afinal esse é um passo grande a se tomar. Não estamos falando de comprar um Mizuno para começar a correr. Estamos falando de uma bicicleta. A ideia aqui é contar para vcs como foi que decidi virar ciclista e como foi que tomei coragem para dar esse próximo passo na minha vida de atleta! bike-road

Como comentei com vcs no post anterior, sempre gostei muito de fitness. Sei que algumas pessoas acham tedioso ficar trancafiado dentro de um gym. Mas eu confesso que eu não! Eu adoro uma academia! Não só por causa dos exercícios, mas eu adoro a parte social do negócio. O povo está sempre alegre, super alto astral… acho que a serotonina da galera transborda pelas veias! Já ouviram falar? Dos neurotransmissores da felicidade que liberamos ao realizar exercícios físicos ? Pois é… gosto do ambiente! Fora a parte social, sempre preferi treinos indoor aos outdoor até por pura praticidade e comodismo: A temperatura das salas de aula está sempre regulada para o nosso maior conforto, saio do treino e vou direto para o vestiário, onde posso tomar meu banho quentinho, secar meu cabelo numa boa e fazer todo o meu ritual de cremes e massagens, enfim. Pode parecer frescura mas muitas de nós mulheres nos preocupamos com esses pormenores, não é mesmo?

Bom, estava eu lá toda feliz e contente com meus treininhos indoor… até que uma dia tive a ideia maluca de começar a fazer provas de longa distância e aí já não dava mais para ficar treinando entre 4 paredes. Não me importo de correr 1h na esteira, mas 2h já começa a ficar meio boring. E pedal então? Socorro! Imagina um pedal de 100K sentadinha na bike de spinning. Estamos falando de quase 4h indo de nowhere para lugar nenhum! Quer dizer… tem gente que roda a uma velocidade de mais de 30km/h e consegue “percorrer o trajeto” em menos tempo, mas eu sou do grupo dos mortais que ficam na média dos 25km/h… Ninguém merece vai! Foi então que decidi comprar minha primeira bike!

Bom, em primeiro lugar, vamos combinar: não era beeeeem minha primeira bike. Já tive uma Ceci Rosinha, com cestinha e tudo. E quem não? Nela aprendi a pedalar… primeiro de rodinha, depois sem… lá no jardim da casa da minha avó. Tomei vários tombos e ganhei vários roxos nas pernas. Quando vivi na Alemanha também andava para cima e para baixo em uma bike de passeio, com cestinha e tudo. ceciE ela tinha até um dinamo, um dispositivo que acendia um farolzinho toda vez que eu pedalava. Quando saía do trabalho a noite, tinha que pedalar para casa com o farol aceso para não tomar multa, dá para acreditar? Regra de trânsito da Alemanha… Bom, nenhuma das duas bicicletas se compara a minha Specialized… mas enfim…  toda experiência conta, pensei comigo!

Enfim! Um belo dia acordei toda animada para comprar minha bicicleta. Meu marido me olhou com aquela cara meio torta, meio incrédulo e disse simplesmente: “Ahãn.” Por dentro fiquei furiosa. Não estava entendendo o por quê daquela cara feia. Talvez porque eu já tivesse históricos frustrados no passado… uma vez comprei uma Trek de montanha, usei duas vezes e a bichinha virou cabide. Será que era por isso? Garoto enxaqueca total. Bom… pensei comigo: “Problema dele! Que fique com essa cara azeda aí. Hoje vou comprar uma bicicleta, com ou sem ele!”. E lá fui eu em uma loja conceito da Trek completamente decidida a comprar minha bike! O ruim de vc chegar chegando para comprar algo que vc desconhece por completo é que o povo pode facilmente te engambelar! Mas fazer o quê. Sou da seguinte opinião: eu sempre tenho a melhor das intenções. Se a outra parte não tem, problema é dela.

Chegando na loja o ser humano começou a falar uma língua estranha. Foi então que eu tive a certeza que a minha experiência com a Ceci Rosinha não ia contar. Algumas coisas eram meio que óbvias: quadro de carbono é mais leve que o de alumínio. Ok. Mas quando ele começou a falar em trocadores Shimano Sora, Cassete com relação 11-28 … foi então que caiu a ficha. Esse negócio definitivamente tem 7 cabeças! Bom… dei sorte com o moço da loja. Ele viu que eu era completamente leiga no assunto e não abusou da minha inocência. Me deu toda a orientação que eu precisava. Me indicou o tamanho de quadro mais apropriado e fechei com ele. Começei com uma de alumínio, TREK LEXA. Uma graça! Preta e dourada. Tinha até umas florzinhas tatuadas no quadro. Super charmosa!

Gente primeira coisa que eu aprendi: é caro! Uma vez comprada a bicicleta, vc ainda tem que comprar

  • Pedal
  • Sapatilha
  • Capacete
  • Luvas
  • Porta garrafinha
  • Garrafinhas
  • Clipe e a aero-barra
  • Câmaras
  • Bolsa para guardar câmara
  • Cadencímetro
  • Bomba de pé
  • Bomba portátil
  • Cápsulas de CO2
  • Ferramentas (chaves, pinça, espátula)
  • Roupas (com bolsos para gel e ferramentas e bermudas acolchoadas)
  • Óculos
  • Bandana

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E a lista pode ser ainda maior se vc já quiser começar turbinando a sua bike. Ó que boazinha que eu sou: já fiz até um check list para vcs! Com fotinho e tudo! 😉

Além disso tudo, tem uma cerejinha nesse bolo: tem que comprar no Brasil para poder ter nota fiscal nacionalizada pois senão vc não consegue carregar essa bicicleta para lugar nenhum caso queira fazer alguma prova fora do país. E dá-lhe imposto! Portanto, se vc vai entrar nessa, já saiba que vai ter que tirar o escorpião do bolso. O investimento inicial é alto. Depois fica menos pior. Vc terá basicamente os custos de manutenção. O duro é que quando a gente pega o gosto pela coisa pois aí, vira e mexe, acabamos comprando novos componentes e acessórios e o negócio não tem fim! O mais engraçado é que nesse mundo o povo só faz rolo. No mercado livre tem quem venda só a roda, outro que vende o cassete, outro que vende a corrente e sei lá o que! E assim vai! Eu me divirto! É o submudo do ciclismo. Mercado negro! 😉Bike fit mulher.jpg

Sem contar o custo do BIKE FIT! Um procedimento super detalhado de customização e ajuste de sua bicicleta. Através do BIKE FIT, podemos tomar todas nossas medidas como arqueadura dos pés,  flexibilidade das pernas, localização dos ossinhos do bumbum… com todas essas informações é possível dimensionar e preparar a bicicleta de maneira mais ergonômica e personalizada, regulando a altura do banco, a  largura do selim, a altura do guidão etc. Muitas lojas de bike oferecem esse tipo de serviço.

Bom, uma vez comprada a bicicleta, bora pedalar! Gente… de novo… nada a ver com a Ceci Rosinha. Já deu para perceber que a Ceci passou a ser algo traumático em minha vida, não é mesmo ? E já não me trazia mais tão boas lembranças assim… brincadeira! 😉

Para pedalarmos em uma bike de estrada, temos que andar “clipados” no pedal. O que isso quer dizer exatamente? A sapatilha tem tipo um clipezinho que “gruda” no pedal da bike e aí você fica conectado à sua bicleta permanentemente. Vc e e sua bike viram um único ser, dá para entender? Pois é. Isso quer dizer que quando a bicicleta cai, vc cai junto. Ou vice versa. Nunca sei quem é o culpado dessa história. Mas enfim… vc se sente completamente ridículo. Todo mundo olhando e vc, com 30 anos nas costas, simplesmente… cai.

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Sapatilha clipada no pedal

Aquele treininho no jardim da casa da minha avó, não serviu para absolutamente nada. Portanto, lição número 1: Não saia pedalando pela estrada sozinho no primeiro dia. Algumas consultorias esportivas organizam treinos em velódromos ou parques e acredito que esses lugares são ideais para quem quer começar. Acredite em mim: vc vai cair!!! Não conheço um ciclista que não tenha caído no começo. Então não se frustre. Caia e seja feliz. Faz parte. Quando eu começei, não tinha acesso a nenhum velódromo, então decidi pedalar nas ruas de meu condomínio mesmo e meu marido ficou de babá.

 

Numa segunda fase, começei a pedalar na estrada. Mas aí tomei os seguinte cuidados:

  • Fui em compania de uma pessoa mais experiente
  • Fomos em um domingo que é quando tem menos movimento nas estradas
  • Escolhemos um local com um acostamento mais largo.
  • A estrada tinha pontos de abastecimento para enchermos as garrafinhas de água
  • Pegava sinal de celular para o caso de termos que ligar para alguma emergência
  • O percurso era relativamente plano

Pessoal. Pedalar na estrada é perigoso e todo cuidado é pouco. A medida que vamos ganhando experiência a tendência é ignorarmos os riscos e aí começamos a fazer algumas loucuras. Eu nunca pedalo sozinha. Além do perigo de atropelamento, em nosso país, corremos o risco de assaltos. Não podemos bobear! Especialmente nós mulheres! Devido a nossa fragilidade, acabamos sendo um alvo mais fácil.

Bom, depois de algumas pedaladas, acabei realmente pegando o gosto pela coisa. Resolvi fazer um upgrade na minha bike e parti para uma de carbono. Muito mais leve e bem mais apropriada para treinos de subida. letapeNeste momento, estou treinando para um prova bastante dificil, chamada L´Étape de Tour de France, organizada para ciclistas amadores com pura subida. O L´Étape Brasil vai ocorrer na cidade de Cunha-SP em setembro e a sem minha bike de carbono seria impossível encarar as inclinações de 19% que teremos pela frente. Fora a leveza do quadro, outros aspectos devem ser levados em consideração como a relação de marcha. Enfim, falei para vcs que esse mundo tem toda uma língua especial e ainda sou aprendiz de feiticeiro. Qualquer dia desses escrevo um post mais técnico para vcs com o auxílio de alguém mais profissa!

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Bom pessoal, mas é isso. A ideia desse post é inspirar aqueles que estão aí pensando em sair das salas de spinning para a estrada!

Quando pensava em ciclismo pensava no Tour e no giro da Itália, só cara profissa e olhem só: “euzinha” virando ciclista e fazendo um L’Étape.

Sei que as vezes ficamos meio que nesse “chove não molha” quando vamos partir para algo grande e “novo”.  Nós seres humanos tememos o que é novo. É natural! É difícil sair de nossa zona de conforto e encarar algo que nunca fizemos antes.

Alguns tem medo, outros ficam meio que receosos ou até mesmo envergonhados. Eu mesma confesso que fiquei com um pouquinho de vergonha de entrar na loja da Trek para comprar minha primeira bicicleta. Pensei comigo: “Poxa vida, vou entrar num mundo que desconheço completamente. O que vão pensar de mim? Aqui só vem ciclista profissional. Será que o cara vai me dar atenção? Vou fazer uma monte de pergunta idiota e o cara vai me julgar! Certeza! Que vergonha!”

Quando começei a treinar com minha consultoria esportiva, pensei a mesma coisa no começo: A maior parte das pessoas já tinha 5 Ironmans no currículo, 10 maratonas e daí para mais. E eu lá… querendo fazer minha primeira meia maratona! As vezes nos sentimos acuados quando nos sentimos inferiores aos demais, não é mesmo?

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Mas o que eu posso dizer: isso tudo está em nossa cabeça e é pura bobagem! Quem vê de fora, não está pensando nessas coisas. O cara da loja de bike está mais interessado em vender a bike do que ficar me julgando. Pode ter certeza! E as consultorias esportivas tem de tudo: desde o ultramaratonista até a galerinha que corre 5K feliz da vida. Tem espaço para todo mundo! Outro dia mesmo uma amiga publicou no Face que havia corrido 2,5km, toda orgulhosa! Achei o máximo e a parabenizei de coração! Vibro muito com as conquistas das pessoas pois olho para trás e vejo minha própria história! Eu começei assim ! Concordo que nesse ambiente existe também muita competição e tem gente que te avalia de cima em baixo. Mas quando surge um ser humano com tal perfil, eu penso comigo: “Ai coitadinho, que dó!”. A única que pode dizer se sou ou não sou capaz de alguma coisa, sou eu mesma. Ninguém melhor do que eu para conhecer meus próprios limites, não é? Portanto amigo, se vc acha que meu pedal na faixa dos 25km/h é ridículo, uma coisa para dizer: vai catar coquinho pois para mim está show de bola! E dá licença que tenho um L´Étape pela frente! Fui!

Se vc está a fim de comprar sua bicicleta, vai lá, compra e seja feliz! Não pensa demais.

tour

Existem muitas marcas disponíveis no mercado. As mais conhecidas são Trek, Specialized, Scott, Cervélo, Bianchi e aí vai. Começe a estudar o assunto, visite algumas lojas e tome coragem. O importante é sair na inércia! E eu garanto: vcs não irão se arrepender. Cada paisagem … vento no rosto… pedalar trás uma sensação de liberdade tão grande… É mais que demais!

Beijos e até o próximo post!