Explorando o talento artístico de minha filha

Eu e o meu marido amamos atividade física! E quem conhece bem a gente sabe que o negócio é intenso! Treinamos natação, bicicleta e corrida de 5 a 6 vezes por semana e adoramos participar de competições de thriatlon! Podemos dizer que o esporte é um dos ingredientes que nos manteve unidos por tanto tempo … estamos juntos a 18 anos! Qualquer dia desses eu conto para vocês a nossa história pois esse assunto “dá pano para manga”… mas por que estou contando tudo isso para vocês? Bom… dessa união veio a pequena Catarina. E depois de tudo o que eu descrevi para vocês, qual é a primeira coisa que passa na cabeça? “Com esses papais,  essa menina só pode ser ATLETA!”. Mas é aí é que vocês se enganam …

Tentamos de tudo! Ela já fez natação, futebol, tênis… e nada deu muito certo! Era até engraçadinho assisti-la nas aulas de futebol. Quando ela ficava no gol, tomava cada frango… Ela simplesmente não conseguia se concentrar no jogo pois ficava no mundo da lua, cantando e dançando para lá e para cá!

Alguns amigos a apelidaram de Cantarina! Seja no chuveiro, no shopping… não importa a hora e o lugar o negócio dela é cantar e dançar. Com direito a interpretação e tudo! Gente … minha filha nasceu artista!

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Juro por Deus… as vezes me pergunto de onde vieram esses genes! Meu marido e eu temos “zero” perfil artístico! Eu cantando pareço mais uma taquara rachada! Meu marido dançando … senhor, sem comentários! Não tocamos instrumento algum. Aí vocês podem me questionar: “Má, você foi uma linda bailarina e ballet é uma arte! Bingo! ”. Mas não é bem assim… eu gostava de dançar mais por conta da atividade física em si! Não pela “arte da coisa”. Quando dançava um Pas de Deux, estava mais preocupada em executar uma pirueta tripla na ponta com perfeição do que olhar nos olhos de meu par com cara de apaixonada! Aliás, esse sempre foi meu gap no palco… tecnicamente impecável mas faltava a interpretação. E aí veio Catarina… artista.

Gente … quando ela canta, ela sente a música. É uma belezinha. Ela fecha os olhos quando tem que alcançar um tom mais agudo. Levanta as mãos na altura do peito quando precisa executar um tom mais grave. Ela curte demais a interpretação e se move conforme a melodia. Passa horas ensaiando a mesma canção até que tudo saia perfeitinho!

Quando nos demos conta de que a praia dela era outra, a primeira coisa que fizemos foi … aceitá-la! Isso mesmo! Aceitá-la do jeitinho que ela é!

Aceitação! Vocês podem achar que isso é meio óbvio: lógico que nós papais temos que aceitar nossos filhos do jeito que são, esse é nosso papel! Mas posso falar? O negócio não é tão cartesiano assim. Sei lá… depois que virei mamãe, meio que entrei no modo automático e comecei a seguir A CARTILHA! Conhecem a cartilha? Aquela… com regrinhas, frases feitas, fórmulas mágicas que todas nós mamães temos que aplicar? A cartilha tem um montão de “bullets” e um deles é o seguinte: Toda criança deve fazer natação, aula de inglês e blá blá blá. É assim e ponto final. A cartilha minha gente!!! Acho que em determinado momento eu perdi a mão. Afinal de contas, demorei para me dar conta de que A CARTILHA é só um guia. Educar filho “by the book” é o Ó, vamos combinar! Catarina já aprendeu a nadar, pronto! Missão cumprida… A cartilha não é lei… é referência. Vamos abandonar a cartilha e … seguir o coração.

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Estimulo! Se o negócio dela é cantar, bora cantar! Oh ow… onde!? Aí veio a segunda barreira: onde vou encontrar um professor de canto? Eu não conheço absolutamente nada desse universo! Não tinha ideia de como era a dinâmica de uma classe de canto. Não sabia por onde começar. Gente… como é ruim a ignorância. Tive que correr atrás. Sair da zona de conforto. Encontrar uma escola de natação era fácil… tá na cartilha. O canto não!

Uma vez vencida a barreira da aceitação e a busca pelo estímulo

Participação! Não é só ela que aprende. Mamãe também entra na brincadeira! Isso mesmo! Aprendizado conjunto! Não basta pagar … tem que participar! Catarina tem tarefa de casa. Tem que ensaiar o Dó, Ré, Mi, Fá. Traz as letras de música para ensaiar. Precisamos tirar as notas no teclado (coisa simples!) e exercitar as cordas vocais! Colocar o Karaokê e treinar direitinho o ouvido. Musicalidade. 1,2,3,… Gente. O negócio é complexo. Nunca imaginei que existia tanta técnica e treinamento.

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Cantarina canta de tudo. Desde Frank Sinatra (“Fly me to the moon”), Amy Winehouse (“Back to black”), Acqua (“Barbie girl”) e Toquinho (“Aquarela”). Em sua última performance, ela cantou a canção de Diego Luna, “Te amo y más”, todinha em espanhol, soundtrack do filme “El libro de la vida”. TOP! Linda! Eu sou suspeita, mas realmente acredito que Catarina poderá vir a ser uma excelente cantora!

Muitos papais sonham em ter filhos advogados, médicos ou engenheiros. Essas são profissões “garantidas”, não é mesmo? Temos que preparar nossos filhos para vida lá fora! Eu mesma confesso que pensava dessa maneira prática até pouco tempo atrás… até Catarina entrar em minha vida. Desde então minhas crenças mudaram um pouquinho. Sou muito exigente com relação ao seu desempenho escolar e acredito piamente no dueto “direitos e deveres”. Não é porque ela gosta de cantar que está liberado tirar zero na prova de matemática! Mas hoje em dia, já não aplico mais A CARTILHA na íntegra. Acredito que o meu papel como mamãe é guiá-la e orientá-la. Devo mostrar as inúmeras possibilidades que a vida nos oferece e explorar ao máximo o seu talento. A escolha de uma carreira é algo que ainda está distante … mas tenho ciência de que tudo o que estamos construindo agora, vai servir como alicerce lá no futuro! Tudo o que mais quero nessa vida é que ela seja feliz. Do resto, o universo se encarrega! Pois quando fazemos algo com louvor e com paixão, o céu é o limite! Veremos … quem sabe um dia Catarina chegue a Hollywood! We never know