Challenge 70.3 Floripa – CANCELADO!

Muito frustrada. Muito decepcionada. Muito triste.

Foram meses de preparação para o Challenge 70.3 de Floripa e eu não tive nem ao menos a oportunidade de tentar. A prova foi cancelada de última hora devido a questões climáticas.

O cancelamento …

Não estou aqui questionando a decisão dos organizadores. Pelo contrário! Sábia decisão. Florianópolis despertou destruída após o forte vendaval da madrugada de domingo 4 de dezembro. Não sei como as bicicletas ficaram de pé nos suportes da área de transição. Até o pórtico de chegada tombou com o vento. Era cone para tudo quando é lado. As cercas metálicas todas tombadas. E olha que a nossa amostragem do desastre estava totalmente restrita à praia de Jururê. Imagina o resto da ilha! Dizem que havia árvore, galhos e outros destroços atirados pelo trajeto da bike. Foram registrados deslizamentos de terra. O corpo de bombeiros foi alocado em operações de salvamento e não poderia nos dar suporte. Os órgãos competentes junto a um comitê de atletas profissionais e amadores, recomendaram veemente o cancelamento da prova e assim foi feito. Ficamos praticamente o domingo todo sem energia. Isolados.

O medo …

Que coisa né…. fala sério é muito azar! Meu marido faz triathlon a mais de 15 anos e isso nunca havia acontecido. Já tinha ouvido falar em cancelamento da natação devido a baixa temperatura da água ou à ressaca… mas até aí ok! O triathlon vira um duathlon (corrida, pedal e corrida) e a vida segue. Mas cancelamento de prova… nunca vi acontecer. Até ontem.

No dia anterior, confesso que já estava bastante aflita. O mar estava muito mexido. Nadei 500 metros, ida e volta até a primeira bóia, e quase vomitei! Fiquei mareada. Muita onda. Mesmo navegando eu praticamente não via a bóia… e mal  conseguia sair do lugar. Aquele treino encaixadinho de 3:1 na piscina não serviu para absolutamente nada! Sem contar a preocupação com o tempo limite da prova. Comecei a rabiscar os meus tempos em um “papel de pão” e fiquei bastante tensa. Minha média de 100 metro de natação, que na piscina é de 1,50, subiu para 2,15 em águas abertas! O tempo limite era de 1h … eu até tinha alguma folga … Mas mesmo assim! Procuro sempre garantir uma boa natação, para sobrar um pouco mais de tempo para a bike. Afinal de contas, se me fura um pneu, já era! Eu devo levar pelo menos 30 min só para trocar uma câmara! Não sou experiente… Também fiquei imaginando como seria o pedal com o vento contra. Minha média de cadência estava praticamente no limite de corte da prova… e o frio. Não sabia se pedalava de manguito ou quebra vento, quanto tempo ia levar para me trocar na transição … ou seja. Estava tudo zoado! Eu definitivamente não estava com a cabeça boa para fazer a prova nessas condições.

O grande dia …

Quando foi 4h da manhã, comecei a me arrumar. Tatuei o número no braço e tomei uma ducha para prender o cabelo com uma trança bem firme. Preparei as caraminholas de Accelerade e água. Também dei um double check no conteúdo das sacolas de transição só para ver se não faltava nada. Antes de descer para o café da manhã resolvi dar uma espiada pela janela do quarto do hotel que dava mais ou menos de frente para o mar. Senhor…. que medo. Tudo escuro. Mas era possível ver os coqueiros resistindo ao forte vendo, meio que tombados na diagonal. Tinha duas cadeiras de praia atiradas na piscina no hotel. E telhas quebradas no chão. Estava muito frio também. Todos os atletas estavam lá no café da manhã. Uns tentando quebrar o gelo, fazendo piadas. Outros quietinhos se concentrando. Até que finalmente fizeram o primeiro comunicado oficial: largada adiada em uma hora. Ficamos todos na recepção aguardando maiores informações. Meu marido já tinha falado: “Acho que vão abortar essa prova. Está muito perigoso”. Foi então que veio a bomba: prova cancelada. Eu subi para o quarto. Muda. Não estava acreditando. Sentei na cama e fiquei olhando para o nada. Muito, muito, muito triste.

Para quem vê de fora, pode parecer exagero. “É só uma prova de triathlon”! Mas cada um reage de um jeito diferente e cabe a nós respeitar o sentimento do próximo, não é mesmo? Eu particularmente fiquei muito abalada. Minha expectativa com a prova era bastante alta. Sem contar que teve todo um histórico  … vou contar para vocês.

Meu histórico de frustrações…

Em janeiro desse ano eu já havia decidido fazer meu primeiro 70.3! Como morávamos no México, acabei optando pelo Challenge 70.3 de Sangil em Querataro que ocorreu no dia 3 de julho. Eu estava super animada com a prova. Me inscrevi logo no começo do ano para garantir minha vaga e já comecei a treinar com uma consultoria especialidade em triathlon chamada Aquiles, um grupo muito forte cuja sede ficava na cidade de León. Janeiro, fevereiro e março são meses muito frios no deserto mexicano que era onde morávamos. Me lembro que saía para pedalar com uma folha de jornal no tronco, embaixo do corta-vento. Também colocava papelão no peito dos pés, mais exatamente dentro das meias. Não tinha material que protegesse melhor contra as rajadas de frio cortantes. E pedalava com duas luvas em cada mão. Frio de -5 graus ou menos. As vezes não conseguia nem sentir meu nariz. Mas com tantos treinos, estava ganhando bastante condicionamento … foi quando recebemos a notícia de nosso retorno repentino ao Brasil. Meu marido precisava estar de volta ao país logo no início de julho e não tinha como a gente ficar para fazer a prova de SanGil. Fiquei MUITO chateada. Tinha treinado tanto … a mudança ia quebrar meu ritmo. Mas ok … “Faz parte” ! Pensei comigo. Tinha uma cláusula no contrato da prova que garantia o meu dinheiro de volta em caso de cancelamento antecipado, e beleza. Portanto, para vocês verem …  de certa maneira, eu já tinha um histórico frustrado no currículo. Quando regressamos ao Brasil, sentei com calma e estudei a fundo toda a agenda de provas do Ironman e do Challenge para o segundo semestre desse ano, que são duas das principais marcas de 70.3 que existem. Avaliei as altimetrías de cada prova, a temperatura média nessa época do ano, os tempos de corte, os custos estimados de viagem…. e por fim, optei por Floripa! Percurso plano na bike e na corrida, uma prova tradicional do circuito do Triathlon, muitos de nossos amigos também iam para lá… pronto! Decidido! Mas agora bate aquele sentimento … “e se”…  sabe como é que é? Eu poderia ter feito a prova do Rio, a de Cartagena, a de Punta, a de Maceió… Mas eu escolhi Floripa.  Pronto… too late babe.

Eu sei … todos nós ficamos frustrados. Uns mais, outros menos. Mas estou aqui contando o meu sentimento para vocês… que talvez tenha sido mais intenso que o normal.

Passei meses me preparando para essa prova. Abdiquei de muitas coisas para poder treinar. Eu não sou atleta profissional. Os treinos foram muito duros para mim. Eu não descansei esse ano! Estou treinando desde janeiro… você tem noção!?

O meu bolso…E o investimento financeiro? Tem gente que acha que é hipocrisia falar sobre isso.  Mas eu não acho não. Foi uma fatalidade, ninguém controla o forecast, o estrago foi grande na cidade… eu sei de tudo isso! Já disse e repito: Concordo em gênero, número e grau com o cancelamento da prova foi … mas que meu bolso doeu, ahhhh doeu! Não vou ser hipócrita de dizer que “tá sossegado” porque não está! Nós damos um duro danado para pagar essas nossas aventuras. “Eu podia ter levado minha filha para Disney!”. Mãe que é mãe as vezes faz esse tipo de comparação, gente, não tem jeito. Vocês tem noção do quanto é um vôo da Azul a partir de VCP? Paguei tarifa normal mesmo! Não tive a sorte de pegar nenhuma promoção no Trivago. Ah! Também tivemos que pagar excesso de bagagem. Não foi brincadeira o negócio! E as refeições do hotel que não estavam inclusas? Meu Deus … Portanto, não me venham dizer que a parte “financeira” é o de menos, pois não é MESMO! A não ser que você tenha uma árvore de dinheiro em casa! Eu não tenho… a minha é de jaboticaba mesmo! 😉

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Não sei se quero mais …

Depois de tudo isso, confesso que desanimei. Talvez eu ainda esteja um pouco deprê… juro por Deus que tudo o que pude pensar até o momento foi o seguinte:

“É … esse definitivamente não foi o meu ano. Tivemos que deixar nosso querido México, fui demitida e agora mais essa. Cereja do bolo!”

Perdi o tesão. Pode ser que isso passe… mas desde domingo, “não estou à fim” de treinar. Peguei um resfriado e não páro de comer o dia inteiro. Estou parecendo a Bridget Jones ! 😉 Brincadeira… nem tanto. Mas acho que vou dar um diminuída no ritmo. E aí vejo o que faço… perspectivas para o próximo ano: voltar a estudar e a trabalhar! Já estou até vendo … mais uns 10 quilos na conta! 😉 Acho que vou me aposentar do triathlon. Quem sabe fazer uma ou outra provinha de olímpico, mas também e só!

Eu sei … tô chata! Mas vocês me entendem né?

Prometo que os próximos posts serão em clima de natal e ano novo!

Beijos

#Mazinhaestáchata #Semanaquevemmelhoro #MazinhaechloeBFF

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