Faça o bem que o resto vem!

Como vocês sabem, essa última semana estive trabalhando na sede da minha nova empresa na cidade de Chicago. Gente… pára tudo! Foi demais. Em primeiro lugar: que cidade!!! Olha, eu já estive inúmeras vezes no Estados Unidos. Conheço São Francisco, Boston, Houston, Pittsburg, Los Angeles, Minneapolis …  e muitas outras cidades. Mas Chicago é a campeã! Prédios modernos, uma vida urbana agitada! O lago Michigan ali ao lado é a coisa mais charmosa! O Rio Chicago então … cruzando downtown todinha. Bom … eu sou suspeita. Adoro a vida urbana. Então para mim, foi incrível.

Só queria ter conhecido Chicago com mais calma. Quando vamos a trabalho, não dá para aproveitar muito o passeio. Eu basicamente assisti um jogo do Chicago Bulls contra o Dallas Mavericks no United Center e fui a um bar de Blues chamado Kingston Minnes. De resto: COMIDA! Pai do céu… ô povo que come! Essa semana vou ter que treinar que nem uma louca para queimar todas as calorias que ingeri na semana passada.

Embora não tenha tido tempo de conhecer muita coisa, essa viagem me abriu  a mente para algo que eu jamais havia pensando antes: EU VENCI! Na quinta-feira a tarde, ao sair do escritório, parei às margens do Rio Chicago e fiquei ali contemplando a paisagem por alguns minutos. Aquele mar de prédios com suas luzes acesas. As pessoas transitando nas ruas rumo a estação de metro. Vestindo aqueles charmosos casacos de inverno. E eu lá. Sabe o que passou em minha cabeça naquele momento? “Caramba… olha só onde eu vim parar! Sou uma executiva. Uma business woman. Estou no centro de mundo.” Respirei fundo. Agradeci. E parti.

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Nos últimos meses de minha vida profissional, andei recebendo muitos feedbacks negativos. Críticas que, em minha concepção, não eram construtivas. Me sentia perseguida. E isso mexeu muito com minha auto-estima. Enfim… sou grandinha o suficiente para saber quais os meus pontos fortes e os meus pontos fracos. Mas quando as pessoas apontam o dedo para gente, potencializando todos os nossos defeitos e ignorando completamente as nossas virtudes, acreditem em mim: nos sentimos bastante diminuídos.

Desde mocinha tenho trabalhado duro para alcançar os meus sonhos. Concordo que meus pais sempre foram muito exigentes comigo mas por outro lado, confesso que minha personalidade sempre foi do tipo guerreira. Eu simplesmente adorava me superar. Tirava boas notas na escola. Ensaiava que nem uma condenada para fazer o Pas de Deux nas apresentações de ballet. Quando morei nos EUA, fui determinada a falar inglês fluente. Me lembro de carregar meu dicionário para cima e para baixo. Até mesmo no banheiro. E tomava nota de tudo quanto é palavra nova que ouvia ao longo do dia a fim de memorizá-la e incluí-la em meu repertório. E como são as coisas né? Até hoje sou assim. Seja como atleta, profissional, como esposa ou como mãe: busco a excelência em tudo o que faço. Aprendi alemão e espanhol. Hoje falo fluentemente 4 línguas. Estudei em uma das melhores universidades do país. Fiz mestrado. MBA. Morei em 3 países. Fiz dois triathlons olímpicos e 3 meia maratonas. Ajudo pessoalmente a minha filha nas tarefas. E coordeno de longe a moça que trabalha comigo aqui em casa. Não deixo faltar comida na geladeira e as camisas do marido estão sempre passadas e disponíveis no armário. Bastante coisa, né? Mas principalmente: fiz tudo isso sem NUNCA, mas NUNCA na vida, fazer mal para uma mosca.

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Quando eu estava ali de pé em meio àqueles prédios, caiu minha ficha: não cheguei aqui à toa. Eu literalmente trilhei meu caminho até aqui. Talvez sem perceber. Eu ia colocando pequenos objetivos na minha vida e a cada conquista, criava uma meta mais agressiva. Fui construindo uma pirâmide e subindo os degraus. Mas nunca pisei em cima de ninguém para chegar aonde eu cheguei.  Pelo contrário. Ajudei muitas pessoas ao longo de minha trajetória. E fui humilde o suficiente para abaixar a cabeça e pedir ajuda sempre que necessário. Quantas vezes não bati na porta de algum colega para perguntar alguma coisa básica de excel? Não tenho a menor vergonha! Quando não sei, pergunto! Como vocês sabem, eu sou química. Não tenho formação em marketing. Tudo o que hoje sei, aprendi no meu dia à dia de trabalho. Com os meus colegas! Tive o privilégio de trabalhar com gente muito TOP que me ensinou MUITO de marketing. E sou muito agradecida por isso.

Durante essa última semana, tive a oportunidade de conhecer meus novos colegas de trabalho e todos os líderes de minha nova empresa. Devo dizer: fui tão bem recebida, mas tão bem recebida, que parecia um sonho! A tempos não me sentia assim… tão especial e valorizada. A todo momento eles me diziam que estavam muito entusiasmados e muito gratos de eu ter aceitado a oferta deles. Que meu currículo era fenomenal. E que eles se sentiam sortudos de eu ter aparecido assim “do nada”! Eles enfatizaram inúmeras vezes o quão valiosa é minha trajetória profissional, tanto pela área técnica como pela área de marketing, pois isso me dava uma visão muito ampla do negócio como um todo. Sem contar que meu conhecimento em idiomas é extremamente útil em uma empresa de perfil global. É extremamente raro encontrar no mercado um profissional com tantas experiências internacionais e fluência em tantas línguas, além de uma exímia formação acadêmica… pois é! Eu confesso que nunca havia pensado na minha carreira por esse lado, até chegar aonde eu cheguei. Agora eu sei: eu tenho sim um sólido currículo! Me dediquei muito para chegar até aqui. E precisou vir uma empresa de Chicago para falar tudo isso para mim e me fazer acreditar em mim mesma!

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Pois é … e hoje estou aqui. Uma executiva ! E a minha ascensão continua… Embora o meu currículo seja lindo e maravilhoso, sei que tenho muito trabalho pela frente e ainda preciso “me provar”. Mas isso não é um problema para mim. Sou extremamente focada em resultado. É uma questão de tempo. Logo logo já começo a entregar.

É com humildade que eu agradeço a Deus todos os perrengues que passei nos últimos meses. Eu definitivamente precisava de um chacoalhão! Estava acomodada. Abaixando a cabeça e aceitando passivamente um série de feedbacks distorcidos de pessoas que não viveram nem metade do que eu vivi. Lições que levo comigo:

1) Ninguém jamais pode dizer do que você é ou não é capaz, exceto você mesmo!

2) Faça o bem que o resto vem.

Mas enfim… apesar de todo o conhecimento que adquiri ao longo dos anos, ainda tenho a sensação de que nada sei! Ainda tenho um mundo inteiro para explorar! E estou louquinha da silva para aprender um monte de coisas novas!!!

Gratidão!!!!!

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