Escolhi ter filho único e me sinto realizada!

Última semana de férias escolares e logo Catinha recomeça o novo ano letivo! Uma mocinha quase que emancipada. Vai para segunda série. E esse ano vai enfrentrar grandes mudanças: vai começar a estudar no período da manhã e voltará para casa de transporte escolar. Ela está feliz da vida, claro! Já se acha a dona do próprio nariz. E faz questão de contar para Deus e o mundo que não é mais a mamãe que irá buscá-la na escola. Mas e quanto a mim? Gente … eu estou muito, mas MUITO agoniada! Tipo: aguenta coração. Sempre fui daquelas mamães que levam e buscam na escola mas esse ano tudo será diferente.

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Como vocês sabem, eu e meu marido optamos por ter filho relativamente cedo. Ao contrário da maioria das mulheres, acabei tomando essa decisão justamente porque eu não estava em uma fase de minha carreira que me exigia tanto. Como eu tinha menos responsabilidades, entendia que seria mais tranquilo me dedicar a um bebê nesse momento de minha vida. Eu tinha apenas 27 anos. Nossa vida financeira na época era relativamente modesta, mas tudo bem. Fizemos umas contas em um papel de pão e não pensamos duas vezes: dá para encarar!

Em janeiro de 2008, tive a minha primeira gravidez. Mas nossa alegria durou pouco. Quando fizemos o ultra-som, o embrião foi detectado onde não devia: gravidez ectópica. Tive que fazer uma cirurgia de emergência para remoção da trompa. Fiquei arrasada. Acho que esse foi um dos momentos mais tristes da minha vida. Em um piscar de olhos a minha felicidade foi imediatamente substituída por uma tristeza sem fim. E medo. Tive muito medo da morte. Entrei em cirurgia sem saber exatamente se sairia viva daquela situação. Imagina só o turbilhão de hormônios! Doeu demais … tanto fisicamente como emocionalmente.

Mas como são as coisas… 8 meses depois, engravidamos de dona Catarina. Bom… no começo foi tenso o negócio. Assim que descobri que estava grávida, fui imediatamente ao médico: “Está desenvolvendo no útero? Pelo amor de Deus, diz que sim!” … E estava !!! Que alegria ouvir aquele coração batendo forte e rápido no ultra-som. Chorei de emoção. Meu feijãozinho… 😉 No quarto mês descobrimos que era uma linda menininha. Catarina! Eu e o Valdinho já tinhamos escolhido o nome dela desde o começo de nosso namoro, quando tínhamos apenas 18 anos! Que coisa, né? Eu sempre soube que teria uma menina. E que seria com aquele homem.

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E olha … como eu curti minha gravidez. Durante 9 meses fui uma chata de galocha! Só comia coisas saudáveis. Tudo balanceado. Ouvia musica clássica. Fazia um monte de atividade de respiração, lia e cantava para o meu barrigão… tudo muito zen. E eu me achava LINDA! Engordei apenas 10 kg e só tinha barriga! Meu cabelo tinha mais brilho e minha pela ficou mais macia nessa época. Acho que era a felicidade. E os hormônios. Foi então que em 6 de maio de 2009, Catarina veio ao mundo e simplesmente roubou o meu coração.

Como eu amo ser mãe! Eu definitivamente não poderia passar por essa vida sem ter tido a experiência da maternidade. Sou muito grata a Deus por Ele ter me dado a oportunidade de vivenciar todo o processo de concepção de um filho, desde a gravidez e até o parto. E de ter me dado uma filha saudável e com o sorriso mais meigo que existe na face da Terra.

E é isso aí. Catarina provavelmente será a pessoa responsável por me proporcionar a minha única experiência como mãe: escolhemos não ter mais filhos!

Vocês devem estar se perguntando: “Depois de tudo o que vocês descreveu, da magnitude e da plenitude desse sentimento, você jura que não tem vontade de ter mais filhos?”. E a resposta é: não.

Não pensem vocês que essa foi uma decisão fácil. Aliás, esse é um tema que, por anos a fio, me atormentou bastante. Eu via o tempo passar mas simplesmente não conseguia tomar uma decisão final sobre o assunto. E como é interessante: antes de eu ter a Catarina, eu sempre dizia que queria dois filhos e ponto final. Como se tivesse que cumprir um protocolo. Imagina só: um casalzinho? Mas depois que ela nasceu, fiquei insegura. Já não tinha certeza do que de fato eu queria para mim.

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Quando decidimos não ter mais filhos e comunicamos nossa decisão aos quatro ventos, foi inevitável o bombardeio de perguntas: “POR QUÊ? Ela não vai ter irmãos? Ela vai ser sozinha. Quem tem um não tem nenhum”. E por aí vai.

Mas posso falar, já passei da fase de dar explicações. Pois se eu fosse explicar, muito provavelmente iria piorar a situação: Porque queremos mais tempo para nós mesmos. Porque queremos namorar um pouco. Porque eu adoro a minha carreira. Porque filho é caro…

Portanto, para evitar controvérsias, minha resposta hoje é muito simples: Porque nós três já nos sentimos realizados assim do jeito que está. 

Quando a Catarina completou 5 anos, eu e meu marido batemos o martelo e nunca mais voltamos a falar no assunto. É claro que as vezes bate uma vontade de ser mãe de novo … mas posso falar? Logo passa. Posso afirmar que já estou bem resolvida quanto a esse assunto. Escolhi escrever esse post pois muitos amigos ainda me perguntam se estou segura de minha decisão. Além disso, tenho amigas que estão vivendo hoje o mesmo dilema que vivi.

Meu conselho é o seguinte: tome logo uma decisão e não olhe para trás. Especialmente no caso da mulher. Sabemos que temos “prazo de validade” e por isso a nossa decisão é a mais difícil de tomar. Por mais que hoje em dia as mulheres tenham filhos até os 45 anos ou mais, sabemos que existem riscos tanto para o bebê, como para mãe. Não é uma decisão fácil… mas é uma decisão que tem que ser tomada para que possamos tirar uma peso dos ombros. Sei lá…senão a gente nunca encerra o ciclo. Fica aquela coisa mau resolvida. Remoendo por dentro.

E posso falar uma coisa? Na vida é tudo tão dinâmico. De repente tudo muda. E se um dia tomarmos a decisão de encarar mais um filhote, a gente encara ué! Eu só acho o seguinte: temos que realmente desejar colocar um filho nesse mundo. Do fundo do coração. Com todas as nossas forças. Eu acredito que a Catarina só é essa coisinha meiga e bondosa pois foi intensamente desejada pelos papais. Ela se sentiu bem vinda quando chegou ao mundo. E é isso que faz a diferença.

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