Mudanças constantes na cabecinha de uma criança de 7 anos

Catarina não veio com manual

E fala sério: como é difícil educar! A gente bem que podia nascer com um chip, né!? Tipo assim: um chip que te converte em pedagoga toda vez que o seu filho te faz uma pergunta bem cabeluda! Aliás, esse chip podia trazer outros aplicativos como o da pediatria, o da psicologia e o da cantoria no meu caso, já que até back vocal eu tenho que ser! Quando nos tornamos mamães vamos ganhando expertise em outras áreas do saber, tô certa ou errada?! É impressionante!! Mas por mais que eu devore os livros do Içami Tiba, vira e mexe tenho dúvidas a respeito de como lidar com certas situações. Acho que todas nós, não é mesmo?

Mas por quê toda essa conversa?

Recentemente Catinha passou por mais uma grande mudança em sua vida: mudou de período escolar. Eu sei … muitos devem estar se questionando: “So what?”. Mudança é algo natural. Todos nós enfrentamos novos desafios de tempos em tempo. Pois é … concordo. Mas a Catinha já enfrentou mudança demais para uma criança de 7 anos. Algo meio que atípico. Mas deixa eu contar para vocês porque meu coração tá apertado!

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A primeira grande mudança: o berçário!

A primeira grande mudança na vida da Catinha, sem sombra de dúvida, foi a ida ao berçário. Aliás, essa mudança é um clássico no currículo da criançada, não é mesmo? Cedo ou tarde todos os papais passam por isso! Bom… decidimos matriculá-la no berçário em tempo integral quando ela tinha cerca de um ano de idade. Talvez ela não tenha memória ativa dessa mudança, mas foi difícil para todos nós. Me lembro de entregá-la na porta de escola aos prantos. Tentei tudo quanto é técnica: às vezes ficava ali na porta da escola por mais 5 ou 10 minutinhos até que ela se acostumasse com a “tia” e depois eu saía de fininho sem que ela me visse. Às vezes eu simplesmente a entregava na porta da escola, virava as costas chorando e ia embora. Gente, essas metodologias mudam tanto… Juro que já nem sei mais o que é certo ou errado. Me lembro de beijá-la no rostinho para transmitir todo o meu amor e deixava nas mãos de Deus.

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México 

Catarina tinha cerca de 4 anos quando nos mudamos para o México. Foi tenso o negócio! Mudar de país é algo realmente grande especialmente para uma criança pequena. A nossa sorte é que o espanhol e o português são línguas relativamente próximas Mas mesmo assim: não deixa de ser uma nova cultura. Optamos por uma escola internacional onde havia muitos outros estrangeiros além dos próprios mexicanos. Nas três primeiras semanas Catarina chegava em casa muito tristonha. Com apenas 4 aninhos não sabia expressar bem os seus sentimentos e pontuar exatamente qual era o problema: a dificuldade de entender a língua? A interação com os amiguinhos? Ela vivia frustrada e eu também! Tentei ajudá-la como pude: não perdia uma festa de aniversário, chamava amigos para virem em casa, fazia bolo, pipoca… Até pensei em mudá-la de escola. Comecei a estudar a possibilidade de colocá-la em uma escola mais voltada à metodologia Waldorf. Eu confesso que sou entusiasta do construtivismo, mas talvez para ela algo mais alternativo se encaixasse melhor. Até que um belo dia tudo ficou bem! Foi impressionante! Parece que a “bichinha” virou a chave e se adaptou da noite para o dia! Chegava em casa contando com alegria sobre tudo o que tinha acontecido na escola e passou a curtir a sua nova experiência como expatriada.

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Catarina parece muito comigo nesse aspecto: quando está triste, ela sempre se permite desfrutar de um breve período de introspeção e respeita o próprio sentimento de dor. Mas depois de um tempo, ela levanta a cabeça, lava a cara e segue em frente sem nem ao menos olhar para trás! Ela passa a aceitar a sua nova condição com alegria e tira o melhor proveito da situação! É incrível essa minha garota!

De volta ao Brasil…

Então! A história é a seguinte: Quando voltamos de nossa expatriação em junho passado, matriculamos a Catinha em uma escola alemã! Além de uma excelente estrutura física e pedagógica, a escola era perto de casa! Super prático. Mas tinha um pequeno porém: eles só tinham vaga no período da tarde. Na hora fiquei na dúvida. Pensei em buscar outras opções de escola que oferecessem vagas no período da manhã. Sei lá, cada um tem uma opinião, mas eu particularmente acho que estudar de manhã é muito mais produtivo. Parece que o dia rende mais! Enfim… acabamos optando pela escola alemã mesmo e topamos entrar no período da tarde. De qualquer maneira, nos registramos em uma lista de espera até que vagasse um lugarzinho na turma da manhã. Vai quê…

Gente pára tudo: a turma da tarde era demais! Catinha fez muitos amigos! Demorou umas 3 ou 4 semanas para que ela se enturmasse mas depois que encontrou a sua panelinha, foi só correr para o abraço. Eu confesso que até eu me enturmei super bem com algumas das mamães. Uma fofas! E a professora era nota 10! Estávamos muito satisfeitos e contentes lá na turma da tarde. Foi então que no final do ano passado, a secretaria da escola me ligou informando que haviam aberto uma vaga para Catinha na turma da manhã. Apenas 6 meses após nosso retorno ao Brasil.

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Gente… juro por Deus: na hora fiquei triste. Estávamos super adaptados e integrados com a turma da tarde. Pensei seriamente em declinar a oferta. Desliguei o telefone e me pus a refletir. Falei com o meu marido e ele foi muito prático: “Precisamos que ela estude de manhã. Precisamos ter a tranquilidade de que poderemos deixá-la na segurança da escola quando formos para o trabalho. No ano que vem você não vai mais ter a flexibilidade de horário que tinha antes. E realmente não dá para contar com a pontualidade do ônibus de nossa secretária.”

Eu não entendia como ele podia ser tão cartesiano nesse tipo de tomada de decisão! Engenheiro é assim: preto no branco! Mas eu sabia que no fundo ele tinha razão. No dia seguinte liguei na escola e confirmei a transferência.

Uma vez tomada a decisão, precisávamos comunicar a notícia para a pessoa que mais seria afetada nesse processo: a nossa filha. Juro que pensei em inúmeras maneiras de contar para ela a grande novidade. Ensaiei dois ou três roteiros. Foi tenso o negócio. No final das contas, decidi abordá-la com um sorriso de orelha à orelha com a seguinte retórica:

“Meu amor, tenho uma notícia super legal para te contar!”.

“Me conta mamãe!”, responde Catinha toda inocente, alegre e ansiosa.

“No ano que vem você vai conhecer um monte de gente nova e fazer novos amigos! Sabe por quê!?

“Por quê mamãe? Conta, conta!!!!”

“Porque você vai mudar para turma da manhã!! Não é muito legal?”

Gente… o que dizer? Talvez eu tenha subestimado o impacto dessa notícia na cabecinha de uma criança de 7 anos. Os olhos de Catarina se encheram de lágrimas em uma questão de segundos. E então ela disse:

“Mudar? De novo… ?”

Minha garganta ficou seca. Eu queria chorar junto com ela! Juro por Deus. Mas acredito que naquele momento ela precisava que eu fosse firme e transmitisse a tranquilidade de que tudo iria ficar bem. Eu simplesmente a abracei e disse que tinha muito orgulho dela. Que ela já tinha vivido muitas experiências que muito adulto, já grandão, nunca havia vivido. Eu disse que confiava muito nela. E tinha certeza que ela tiraria isso de letra, como ela sempre fez. E lá fomos nós … que venha o período da manhã!

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Turma da manhã

Pois é … e eu estava certa! Catinha voltou às aulas e já está se enturmando. Eu sei que tenho um papel muito importante no processo e preciso apoiá-la bastante para que sua integração seja a mais natural possível. Esse fim de semana ela foi convidada para sua primeira festa do pijama na casa de uma amiguinha da classe. Confesso que fiquei aflita de deixá-la dormir fora de casa. Eu ainda não conheço os novos papais!!! Haja coração! Mas ela disse que queria ir! Então lá fomos nós. A mamães trocaram mensagem a noite toda no WhatsApp. Todas monitorando se os filhotes tinham comido o hot dog ou escovado os dentes. Coisa de mãe, vocês conhecem bem…

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No dia seguinte ela me contou toda orgulhosa que havia divido a tenda com a aniversariante. Eu disse: “Que honra filhota! A aniversariante quis dividir tenda justo com vc que é nova na turma?”. E ela: “É que ninguém queria dormir comigo!”. Na hora me partiu o coração. As panelinha já estão formadas e ela não faz parte de nenhuma delas ainda. Mas enfim… estou tranquila pois sei que é uma fase. Catinha já passou por isso outras três vezes e tem experiência no currículo! Logo logo ela vai se identificar com algumas das meninas e pronto! O que importa é que Catinha voltou para casa feliz da vida! Brincou a noite toda até as 1h30 da manhã. E voltou contando da guerra de travesseiro, da brincadeira da bruxa e outras peripécias. Eu não canso de dizer: como sou fã da minha filha! 😉 Ela é demais! Se um dia formos transferidos para China, não vou ter com o que me preocupar! 😉 Que venha Suzhou! 😉