Eu disse “não” para uma multinacional de grande porte

Engraçado como são as coisas né?

Depois que fui demitida de meu emprego anterior, vocês sabem: entrei numa fossa horrorosa. Vou te contar! Depois de muito chororô e passadas algumas semanas, acabei me recompondo e colocando as ideias no lugar. Comecei a traçar um plano de ação! O qual consistia basicamente no seguinte “passo à passo”:

  1. Iniciar um trabalho de coaching
  2. Recauchutar o meu LinkedIn
  3. Disparar currículo

Simples e prático, não é mesmo?

Bom… mais ou menos. A coisa não é tão cartesiana assim quando se trata de conseguir um emprego. Believe me! Mas enfim, continuando…

Na busca de minha oportunidade profissional, outros dois critérios que estabeleci logo de antemão foram:

  1. Região de Campinas
  2. Multinacional de grande porte

E mãos a obra!

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Busca de emprego com foco

Logo nos primeiros dias, fiquei bastante frustrada. Entrava no vagas.com e no LinkedIn e via aquele monte de oportunidade para gerente de marketing de produto, mas tudo para São Paulo! Nadica de nada aqui para o interior. Gente … eu sou uma mamãe muito presente na vida da minha filhota. São Paulo estava literalmente fora de cogitação: “quem é que vai pegar a minha princesa na escola?”. Eu havia finalmente compreendido que, ao limitar o meu raio de atuação, eu limitava imediatamente as minhas possibilidades. Em especial junto às multinacionais de grande porte. As área de marketing dessas organizações, estão todas lá na Berrini, benhê! Para completar, fora a minha restrição com relação a localização, eu tinha enfiado algo na cabeça que ninguém conseguia tirar: tem que ser multinacional de grande porte. Ponto final. Por quê? Porque sim. Eu mesma não tinha muito embasamento para justificar o meu próprio processo decisório. Acho que internamente, eu tinha um certo preconceito com relação às empresas menores. Glamour. Marca. Status. Digamos que eu era uma patricinha corporativa.

Enfim … it is what it is. Vamos ver no que é que dá!

Visitei os mais conceituados headhunters do mercado e fui imediatamente selecionada para 4 processos seletivos na região de Campinas. Três deles para multinacionais de grande porte. Em dois deles, fui cortada logo de cara. É difícil… na minha fase de carreira, o pessoal prefere recrutar gente que já esteja relativamente preparada frente a determinados negócios. As vagas são muito específicas. Você tem que vir de determinado setor e ponto final! E faz sentido… eu entendo. Mas depois que fui barrada nesses dois processos, abri os olhos: percebi que a minha frescurite aguda só iria me prejudicar. Eu não estava em posição de escolher a dedo as minhas oportunidades profissionais. Estava desempregada. Vulgo, vulnerável.

Bom… nesse momento, acabei voltando uns passinhos para trás para revisar o meu escopo.

Mudança de escopo

São Paulo… ai, ai … São Paulo.

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Meus olhos brilhavam quando eu via aquele monte de vaga bacana no LinkedIn para gerência de marketing de produto: Danone, Novartis, Alpargatas, Nívea, Facebook, Siemens, GM. Juro por Deus. Estava tudo lá. Era só me candidatar. Eu me coçava todinha. Do lado esquerdo do meu ombro havia um diabinho que dizia: “Manda o currículo logo! Vai quê …”. Mas do lado direito tinha aquele anjinho que falava baixinho no meu ouvido: “Aceita que dói menos, dona Mayra! São Paulo não é uma opção. Você não vai conseguir conciliar a maternidade com a carreira e de quebra, colocará em xeque toda a sua estrutura familiar, que foi difícil de construir!”. O anjinho, obviamente venceu!

“Terei que abrir mão do critério multinacional de grande porte. Não vai ter jeito!”

Eu sabia que só me restava essa opção. Caso contrário, a minha maratona na busca por um emprego poderia se estender por meses à fio. Eu vim de uma multi. Sei como funcionam as regras e como é complicado entrar! Na grande maioria das vezes, eles recrutam profissionais internamente. Dificilmente abrem vagas externas. Pode acontecer, mas é raro. E faz sentido! Nada como “pegar” alguém que já conheça o negócio e os processos internos. Sem contar que é uma maneira de motivar os recursos internos e dar oportunidades ao seu próprio pool de talentos.

Foi com muita dor no coração que abri mão da minha exigência com relação a multinacional de grande porte e comecei a abrir o meu leque de opções.

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O grande dilema

Em dezembro de 2016, recebi a minha oferta de emprego. Aconteceu tudo muito rápido. Digamos que 43 dias após a minha demissão, eu estava empregada novamente! Era na região de Campinas, que eu tanto queria. Mas era em uma multinacional de pequeno porte. Não de grande porte. Meu coração ficou bastante dividido. Por mais que eu estivesse feliz da vida de ter sido aceita no mercado de trabalho, eu simplesmente não conseguia ignorar o fato de que aquilo não era exatamente o que eu desejava para mim. Paralelamente, eu ainda aguardava a finalização daquele último processo seletivo, estão lembrados? Lá na região de Sumaré. O salário era um pouco mais baixo. Mas o pacote de benefícios era melhor. Eu estava muito ansiosa com o desfecho desse processo. Seria perfeito para mim! Uma empresa que eu sempre havia admirado muito. Top! Mas eu não podia esperar… não podia trocar o certo pelo duvidoso. E acabei aceitando a oferta da minha empresa atual.

Gente… passei meu ano novo com mixed feelings, total! Estava muito esperançosa de que ia dar certo na outra empresa. Já tinha passado por 2 etapas. Só restava mais uma. O headhunter estava nitidamente do meu lado! Eu sabia que tinha grandes chances. Mas não tinha jeito: só me restava aguardar!

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Em janeiro, comecei a trabalhar nessa minha nova empresa. Logo nos primeiros dias, fui convidada para visitar a sede dos caras lá em Chicago para conhecer toda a liderança. Que voto de confiança mais bacana, vocês não acham? E os valores dos caras? Incrível. Eles vivem aquilo que pregam. Isso ficou muito claro para mim quando estive por lá. Os meus colegas de trabalho eram o máximo. Super preparados. Muitos haviam construídos suas carreiras em empresas grandes também. Tinham muito know-how de marketing e negócios. Voltei simplesmente encantada! Que empresa bacana! Quanta gente legal. Fui tão bem recebida… enfim. Voltei com a cabeça mais aberta.

Ao chegar em casa, não deu outra: fui chamada para última etapa daquele processo. E lá fui eu! Mas nessa terceira fase, eu já não era mais a mesma pessoa. Eu já estava em um nível de maturidade diferente. Sem preconceitos. Mente aberta. E principalmente: estava decidida a ficar aonde eu estava. Mesmo assim, fiz a entrevista e dei o meu melhor. O pessoal curtiu. Naquele momento eu tive a certeza: a vaga era minha. Ao regressar para o estacionamento, parei por um momento. Olhei para trás. Para aquela PUTA empresa bacana. Admirável. Aquele sonho de consumo. Sorri, virei as contas e fui embora. Eu sabia que não ia aceitar a oferta. Não naquele momento. Talvez um dia. Mas não agora.

E não deu outra. No dia seguinte me ligaram. E eu me retirei do processo. Eu disse não para uma das empresas mais admiráveis do mundo.

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Olhando para o horizonte… sempre!

Eu me aconselhei com muitas pessoas antes de tomar essa decisão. Minha coach, meus amigos mais próximos, minha família. E todos foram unânimes: “fique aonde você está”. Um deles me disse algo que jamais esquecerei: “se você aceitar, estará trocando 6 por meia dúzia”. E ele tinha toda razão. Eu saí da minha empresa anterior justamente porque não soube fazer política. Em uma multinacional, dependendo da situação que a empresa está enfrentando, a coisa pode funcionar da seguinte maneira: 80% lobby e 20% trabalho. Todo mundo sabe disso. Especialmente no meu nível gerencial. E posso falar? Eu definitivamente não tenho essa malícia toda. Não tenho o jogo de cintura necessário para trabalhar nesse tipo de ambiente. É uma fraqueza minha. Não sei fazer política. Não no nível dos caras. Tem gente muito ninja no mundo corporativo. A empresa onde hoje estou, está na medida certa para mim. Combina comigo. Com o meu jeito de ser. Tem política, como em qualquer outra organização. Mas em menor grau. Algo gerenciável. Tipo, nível básico. Verbo “to be”, dá para entender!? 😂

E é isso aí. Decisão tomada e bola para frente. Quando tomamos uma decisão dessa envergadura, não podemos olhar para trás. Precisamos seguir em frente com a cabeça erguida. Tenho certeza de que tudo vai dar certo! Estou gostando muito da empresa aonde estou. Talvez eu a tenha desdenhado no início, mas estou aqui me redimindo com toda humildade. E tenho MUITO orgulho de vestir a camisa de minha nova empresa. Tenho uma grande admiração pelo negócio que hoje lidero. A patricinha de Beverly Hills é agora uma nova mulher! Estou mais para Rhonda Rousey. E simplesmente tô amando tudo isso!

I´ve got the punch! 👊🏻

Mãos a obra!

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