Recrutamento e seleção: O sistema está falido!

Eu e meus “causos”…

Lá vem! 😉

Então … relutei para falar sobre esse assunto, mas resolvi falar. Doa a quem doer. Não costumo sair por aí criticando tudo e todos, sou da paz, vocês me conhecem. Mas como passei por algumas experiências traumáticas durante a minha busca por uma oportunidade profissional, decidi dedicar um tempo para redigir esse post e, quem sabe, precaver alguns de meus amigos que estão hoje desempregados… aí na luta! O que vocês irão encontrar pela frente é um verdadeiro show de horrores! Preparem-se!

O sistema de recrutamento e seleção de profissionais está completamente falido. Uma lástima. Vergonha nacional! E não estou falando de “empresinha de RH” não! Estou falando de umas MEGA empresas de RH, altamente reconhecidas no mercado. Aquelas que tem até fotinho do consultor no site, todo engomadinho, intitulado “sócio”. Muita pompa, pouca efetividade. É ÓBVIO que não podemos generalizar. Nem todas as empresas/profissionais são uma piada… devo reconhecer! Passei na mão de gente muito profissional. Mas na grande maioria das vezes, a realidade é outra. Tive que lidar com uma bando de crianças mimadas e mal educadas.

Deixa eu dividir com vocês uma de minhas experiências. Ela foi extremamente marcante para mim. E na época fiquei bastante magoada com o ocorrido.

photo-1454023989775-79520f04322c

A entrevista mais esdrúxula da minha vida

Um belo dia estava eu lá, bela e sossegada quando vi um recado na caixa do meu celular. Era de uma empresa de recrutamento. A pessoa deixou um recado de maneira toda acelerada. Tive que ouvir a mensagem duas vezes para conseguir anotar o seu número de telefone. Ela estava dizendo que havia captado uma vaga de gerente de produto e queria conversar comigo. Retornei a chamada imediatamente.

“Alô, bom dia! Estou retornando uma chamada da fulana.”

“Um momento.”

Gente … juro pelo que há de mais sagrado: Daqui para frente, o que se seguiu foi um verdadeiro show de horrores.

A menina começou a falar logo de cara:

“Olha, achamos você no LinkedIn mas me fala uma coisa: voce está disposta a mudar para Cotia? Senão não serve!”

“Bom… eu não tenho disponibilidade de mudança mas estou em busca de oportunidades em raio de até 80 km de Campinas…  Cotia tá mais menos dentro do meu escopo, afinal pego o Rodoanel…”

Nesse momento fui INTERROMPIDA! Juro por Deus. A menina me interrompeu com um tom de desdém e disparou a falar que nem uma louca varrida dizendo que eu não servia, que ela estava com a vaga quase fechada, que ela precisava de inglês fluente, experiência em B2B…. enfim. Pensei comigo “por quê você me ligou então, sua nó cega?”. Bom … como a menina estava louquinha da silva para desligar na minha cara, eu a interrompi e agradeci de antemão:

“Olha fulana, entendo perfeitamente. Fazemos assim: se você puder me passar o seu email, eu te encaminho o meu CV. Quem sabe em uma outra oportunidade, dá certo. Tenho experiência ampla em B2B, falo 4 idiomas, estudei na Unicamp, já morei fora… se tiver interesse, estou a disposição. Obrigada pela atenção.”

Foi tudo o que consegui dizer sobre meu magnífico currículo. “Cuspi” todas essas informações em um intervalo de 10 segundos, que era o tempo que eu tinha para me vender. Não costumo fazer isso. Talvez eu tenha soado arrogante. Mas não podia perder a chance de pelo menos tentar.

Bom … de alguma forma consegui captar a atenção daquela “moleca” por alguns minutos mais. Me desculpe, mas aquele ser humano não poderia ser chamado de “profissional”. Ela era no mínimo uma menina mimada e narcisista. Por isso não se pode dar poder para qualquer um. Bom, depois que passei um rápido resumo do meu CV, a menininha foi pegar a canetinha cor de rosa dela para tomar nota do interrogatório que se seguiu por mais cerca de meia hora. No final, acabei descolando uma entrevista lá na sede da empresa de RH. Gente… na hora engoli um seco. Não fiquei completamente feliz com aquela chance que havia me sido dada. Depois de toda aquela palhaçada por telefone, aquela FALTA DE RESPEITO, juro que pensei em dar um “migué” e não ir na tal da entrevista. Mas como eu estava desempregada e vulnerável, engoli aquele sapo, e fui.

charlz-gutierrez-de-pineres-64078

Gente de Deus … uma coisa que sempre fiz foi confiar no meu instinto. Mas dessa vez tentei seguir a razão e só podia dar meleca. Chegando lá na entrevista, fui literalmente “enfiada” em uma sala gelada e ali fiquei por 20 minutos aguardando a recrutadora número 2 dar o ar da graça. Devia ser a chefe da primeira. Essa tinha até a tal da fotinho no site. Pensei comigo: “Talvez seja mais sênior. Vai saber conduzir uma boa entrevista”. Quando o ser humano entra na sala e me olha dos pés a cabeça… hum…. ja vi que não ia rolar. Eu estava super bem vestida, maquiada… bom, quem é mulher sabe como é que as coisas funcionam. Quando não bate o santo, sai debaixo! Ela não foi com a minha fachada logo de cara.

Pausa para reflexão: abaixo às menininhas de RH!!!!! Sério… mulheres queridas. Por favor… vou dar uma de feminista aqui e agora. Por quê é que vocês boicotam a própria espécie? Estamos aí … a anos lutando por direitos iguais. Equivalência de salários.  E a mulherada aí, puxando o tapete umas das outras. Esse mundo está perdido!!

Bom, continuando…

A ciclana da fotinha me entra na sala e já começa de cara o interrogatório. Era da mesmíssima laia da outra fulana. Ela armou um pequeno IPAD sobre um suporte que não parava em pé e simplesmente disparou uma série de perguntas enquanto tomava nota do que eu falava, sem nem ao menos olhar nos meus olhos. Juro por Deus. Eu bem que tentei transformar a entrevista em um pequeno bate papo. Algo mais leve e descontraído. Mas não teve jeito. Ela me interrompia de vez quando com um tom de superioridade pedindo para eu detalhar uma ou outra informação. Senhorita azedume ficou comigo 30 min naquela sala gelada. Impaciente. Louca para terminar aquela entrevista conduzida “by the book”. Obviamente não passei pelo crivo dela. E a tal da multinacional de Cotia não teve nem chance de me conhecer.

E é isso aí…

E essa é a conduta de alguns dos profissionais de RH que estão no mercado. Recrutando pessoas que estão sem emprego. Pessoas que estão vulneráveis. Com família para sustentar. Pessoas que estão a meses fazendo as continhas para ver como vão pagar as contas no final do mês.  É realmente um absurdo a falta de respeito com o próximo. A falta de consideração. A falta de profissionalismo. E viu … esse é só um exemplo. Passei por outras 6 experiências semelhantes. Cheguei a participar de um total de 8 processos no total.  Não é pouca coisa. E posso afirmar que, em apenas 2 deles, fui tratada com dignidade. E gente … não estou nem ao menos considerando aquele monte de processo seletivo que começam no mundo virtual e terminam no buraco negro. Quantos testinhos babacais não tive que responder online. E para quê? Para nada!!! Waste of time.

Eu queria muito poder citar o nome da empresa que me tratou de maneira desprezível. Queria muito colocar no meu feed do LinkedIn. Citar nomes. Mas não posso fazer isso. Pois amanhã, poderei precisar dessa “gentinha”. Infelizmente é assim que as coisas funcionam.

Graças a Deus, no final da minha saga, caí na mão de uma recrutadora muito gentil e delicada. Ela me tratou com muita dignidade e fez com que eu me sentisse tranquila e confiante. Foi através dela que consegui o meu emprego. E gente… até mesmo a outra oportunidade que não deu certo. Fui entrevistada por um profissional super jóia que a todo momento me passava um feedback dos próximos passos. Quando fui recusada no primeiro processo que fiz com ele, ele logo me disse: “Esse não deu certo pois a empresa acabou recrutando um profissional interno. Mas seu currículo é ótimo e vou certamente te acionar nas próximas oportunidades. Precisamos muito de um banco de dados de currículos bons como o seu”. Outro nível né?

Conclusão

Eu imagino que a vida dos profissionais de RH não deve ser nada fácil. Ainda mais em época de crise: eles devem receber milhares de currículos. E não tem jeito: têm que filtrar. De uma maneira muito macro. Usando critérios muito genéricos. E numa dessas muita gente boa acaba ficando de fora. Dias atrás vi um comentário muito legal de um headhunter no LinkedIn, o qual dizia mais o menos o seguinte: “Dias atrás, publiquei uma oportunidade para Controller. Recebi mais de 6.000 currículos. Talvez seja reflexo da crise que estamos enfrentando. De qualquer maneira, queria agradecer imensamente todos vocês que se candidataram a essa vaga. Darei o meu melhor para fazer uma boa análise desse material e dar andamento ao processo.” Fala sério … animal né? Se pudesse daria  várias curtidas. E nem conheço o cara!

rawpixel-com-196464.jpg

E é isso aí … não é fácil para ninguém. Só acho que os profissionais de RH não podem jamais perder de vista de que sua especialidade envolve uma lado humano muito intenso. Entendo que eles também tem métricas, KPI etc. Mas por trás desses números, existem pessoas.

Beijos e até próximo post!

2 comentários sobre “Recrutamento e seleção: O sistema está falido!

Os comentários estão desativados.