Meu primeiro meio Ironman!

Gente pára tudo!!!

Completei meu primeiro Meio-IronMan. Não é demais?????

Foram 1.9km de natação, 90 Km de pedal e 21 Km de corrida. Sofri. Doeu. Chorei. Sorri. Xinguei. Me diverti. Me odiei. Me amei. Turbilhão de sentimentos TOTAL! Levei 6h e 59 minutos para terminar a prova. Fui a penúltima pessoa a cruzar a linha de chegada. A última mulher. Escoltada pela motoquinha e tudo! Engraçado, né? E não tenho a menor vergonha de contar isso para vocês! Pelo contrário: estou muito orgulhosa com o meu resultado. Passei muita gente na corrida e na bike. Gente que desistiu no meio do caminho. Mas eu completei. Fui até o fim. E hoje quero contar para vocês como foi minha trajetória até aqui.

Os treinos

Posso contar um segredo para vocês? Dessa vez eu não estava bem treinada. Pelo menos não como no ano passado, quando estava treinando para o Challenge Floripa. Vocês lembram dessa prova? Aquela que foi cancelada por causa de um tufão? Então … e juro: não estou dizendo isso para me gabar. E definitivamente não é blá blá blá. Tanto é que fui praticamente a última a chegar. Já estavam quase desmontando o pórtico de chegada quando eu passei debaixo do cronômetro! 😉

Enfim… vocês que estão aí acompanhando o blog conhecem bem a minha rotina. Estou vivendo um outro momento de minha vida. Minhas prioridades são outras. Emprego novo. Retorno recente ao Brasil. Muitas viagens. Filhota se adaptando em um novo período escolar… o triatlhon definitivamente ficou para segundo plano!

Mesmo sentindo que não estava na minha melhor forma, decidi tentar! Querendo ou não, já estou fazendo treinos de endurance a mais de 2 anos. Ou seja: o corpitcho já tá acostumado a levar porrada. Eu sabia que não teria um bom desempenho. Mas o objetivo dessa vez, era outro. Era simplesmente completar!

Nos últimos 3 meses treinei uma média de 8h por semana. Sabádo e domingo, era sagrado. Mas durante a semana … foi punk manter uma rotina de treinos adequada! Quando eu conseguia ir para academia, soltava fogos! O meu novo trabalho está me demandando bastante. O cansaço mental é intenso. Eu ainda estou na fase de construir uma rotina que flua de maneira tranquila… então já viu, né?

Pré-prova

Vocês não vão acreditar: para completar, dois dias antes da prova, peguei um baita de um resfriado. Fiquei chateada. Mas fazer o quê? No sábado que antecedeu a prova, fomos para casa de uns amigos em São João da Boa Vista e eu não largava o rolo de papel higiênico. Meu nariz não parava de escorrer. Fiz a prova a base de paracetamol e Benalet.

No dia da prova, acordamos cedinho e fomos para Pirassununga. A largada seria às 8h. Chegando na transição: cadê o chip!? Senhor … pensa em uma pessoa surtada? E procura na cestinha, e procura na mala, e procura debaixo do banco do carro. E nada do maldito chip! Em estado de desespero, fui lá falar com o organizador da prova: #peloamordeDeus me arranja um chip! Graças a Deus, deu tudo certo. Me repassaram o chip de um tal de José e eu corri a prova inteira com o número do cara! Número 208! Histórias para contar … fiz meu primeiro meio IronMan com o nome de José!

Fora esse epsódio que me deixou um pouco nervosa, de resto, eu estava bem tranquila. Minha amiga Camila me disse: “Você está sossegada até demais para quem vai encarar um meio Iron!”. Morri de rir. Mas realmente: eu estava beeeem sossegada.

Long Distance Pirassununga 2017

O Long Distance de Pirassununga é uma prova clássica do circuito de Triatlhon brasileiro organizada pela Cia de Eventos. Foi uma das primeiras provas no Brasil antes da chegada do IronMan e do Challenge. A prova acontece dentro da Academia da Força Aérea (AFA) e é bem planinha. Mas MUITO quente. Na opinião de meu marido, essa é uma das provas mais difíceis que ele já fez por causa do calor. É realmente insano.

A natação acontece em um pequeno lago, logo na entrada da AFA. Esse ano, não liberaram roupa de borracha. Mas tudo bem… a água estava gostosa. Geladinha mas gostosa. Eram duas voltas de cerca de 1km cada. Na segunda volta, peguei a esteira de uma menina que estava em um ritmo legal e aproveitei para descansar. Além disso, meus óculos não tinham lente polarizada e, com o amanhecer, não conseguia enxergar bem as bóias que demarcavam o percurso. Os raios de sol me impediam a visão. No fim, a menina também acabou funcionando como guia. Como nadava bem e tinha uma boa bússola, fui na confiança, nadando encaixadinho, 3 x 1, com pouca navegação. Fechei os 1,9km em 45 min.

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Saí para o ciclismo em um ritmo progessivo. Procurei manter uma média de 25km/h. Um ritmo bem tranquilo. Não podia perder de vista que ainda teria um bom tempo de prova pela frente. Por isso preferi manerar. Muita gente me passou na bike. Mas não fiquei chateada. Faz parte. O importante era continuar focada na minha estratégia. Dentre as três modalidades, a natação é onde me destaco. Costumo sair bem da água, comparada às outras mulheres da categoria amadora. Mas na bike elas costumam me pegar. Teve uma hora que uma moça emparelhou comigo para bater papo. Simone era o nome dela. Era sua primeira prova depois de ter o segundo filho, o qual tinha um ano de idade. Conversamos um pouco mas acabei tendo que encerrar o bate papo pois fiquei receosa com os fiscais. Qualquer aproximação de outro ciclista poderia ser considerada como vácuo, o qual era proibído nessa prova. O vácuo é também conhecido como drafting. Essa é uma prática comum no ciclismo, onde o pessoal se reveza na liderança do pelotão, “cortando” vento, enquanto os demais seguem “na roda’ do companheiro da frente. Quem fica “na roda” do cara da frente, consegue descansar absurdamente! O Tour de France é um show de vácuo! Faz parte da estratégia das equipes poupar determinado ciclista durante o percurso para que ele chegue bem na etapa final da prova. No meio Iron, o vácuo é terminantemente proibido.

Bom… lá fui eu. Sozinha. Pedalando em meio às plantações de cana e eucalipto. Em meio às vilas dos oficiais. Construções típicas da década de 70. Um charme. E aquele silêncio gostoso de natureza. Foram 4 voltas no total. O bacana é que as famílias podem participar bastante do evento pois o tempo todo passamos por eles. O circuito é fechado.

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Posso contar uma coisa engraçada para vocês? A cada volta da bike, me batia uma vontade absurda de fazer xixi. Meu marido gritava para mim: “Faz na calça, não pára não!”. Na verdade essa é uma prática comum entre os atletas profissionais. Afinal de contas, alguns segundo podem fazer a diferença. Bom… se eu me conheço bem, acho que jamais chegarei nesse nível de comprometimento. Vocês estão falando com uma pessoa que seca o pé na toalha antes de colocar a sapatilha na transição! 😉 Só falta a pessoa passar batom para pedalar! Enfim… juro por Deus: devo ter perdido uns 15 minutos só de pitstop no banheiro químico! Parei um total de 5 vezes. Sem noção, né? Mas não teve jeito. Fechei os 90 Km de pedal para 3h e 30 min.

Bom, quando entreguei a bike já era mais de meio dia. Saí para corrida com o sol a pino. Uns 40 graus. Sem brincadeira. E daí em diante, foi sofrido. Confesso que subestimei o nível de dificuldade da prova. Eu sabia que seria difícil, mas não sabia que seria tão f …

O primeiro quilômetro foi uma pequena ladeira. Quase que um falso plano. Minha estratégia inicial era manter um pace de 6:40. Como eu faço o triathlon olímpico para 6:20-6:30, imaginei que 6:40 seria um pace adequado para um meio iron.

Senhor…

Jesus Cristo…

Meu Deus…

😱

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Consegui manter esse pace nos primeiro 3 km. Depois desisti. Eu olhava o Garmin e com muito custo, trotava a 7:00-7:30. Isso até o quilômetro 10. Depois quase que joguei a porcaria do Garmin no meio do mato. As pernas não obedeciam mais. Minha garganta doía. Minha cabeça doía. Eu tinha sede. Meu pace subiu para 8. Passei uma galera. Inclusive a tal da Simone. Muita gente começou a andar. Homens e mulheres. Pensei comigo: “Esse pessoal não vai encarar a segunda volta”. Estava MUITO calor. A cada 3 ou 4 km tinha um posto de abastecimento. E a água estava sempre geladinha. Mas mesmo assim. O calor era insano. Quando saí para segunda volta de 10km, muita gente já tinha terminado a prova. E de repente ficou aquele silêncio. Não sei se vocês sabem disso, mas não se pode correr de fone de ouvido. A música é considerada um doping natural e é proíbida nas provas de triatlhon. Tem que ter muita cabeça para correr 21km sem nenhuma distração. Muita gente desistiu da segunda volta, exatamente como eu havia previsto. Do quilômetro 10 em diante, só tinha eu. E um senhor logo adiante. Hugo era o nome dele. No quilômetro 12 a ambulância pareou ao meu lado: “tá tudo bem?”. Eu ainda conseguia esboçar um sorriso. “Tudo bem, mas vou demorar!”. Logo depois veio o Célio de motoca, o organizador da prova: “Vai tranquila. Os postos de água vão estar a sua disposição até o final”. Lá pelo quilômetro 14, alcancei o Hugo. Ele andava e corria, andava e corria. Estava sofrendo. Mas também: super guerreiro.

É engraçado lembrar que nos primeiros 10km eu estava super mal-humorada. Eu xinvaga muito: “Mayra sua idiota, pra quê? Você é uma ridícula, retardada, doente…”. Na segunda volta, meu discurso mudou: “Vai tranquila. Não vai se machucar. Essa bolha no pé, você trata depois. Você comeu banana antes da prova, não vai ter cãimbra. Toma mais um zipvit. Força”. Procurei manter o foco. E manter um pensamento positivo. No quilômetro 19, veio uma outra motoquinha do meu lado. Para me escoltar. Eu era a última mulher. Ele veio conversando comigo e conseguiu tirar a minha cabeça do meu sofrimento. Corri o tempo todo. Firme e forte. Não andei em momento algum. De repente vejo meu marido e a minha filha. Tadinhos. Preocupados. O pessoal do evento já estava desmontando quase tudo. Faltando 500m para chegada, o pessoal começou a me aplaudir. A motinho abriu alas para recepcionar a minha chegada. Eu comecei a chorar de emoção. Dei as mãos para minha família e cruzei a linha de chegada. O cronômetro marcava 7h04 de tempo corrido! Foi realmente emocionante e inesquecível.

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Por quê?

Vocês devem estar se perguntando: “Pra quê tudo isso?”

É muito lôco, né?

Mas é difícil explicar.

Atletas profissionais fazem isso por causa de carreira. Até aí tudo bem, compreensível. Mas e o resto do pessoal? Cada um tem o seu propósito. O que é posso falar é de mim:

Em primeiro lugar, eu adoro esse esporte !!! Me divirto a beça quando faço essas provinhas! Sem contar os benefícios paralelos que ele me traz. Uma super saúde mental e física. Disposição. Boa forma. Auto-estima.

É através do esporte que eu testo os meus limites. Me supero. Eu sei que sou capaz de grandes realizações. E não me venha dizer o contrário: vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Sabe … nessa longa estrada da vida, as vezes cruzamos pessoas amargas e invejosas. Gente capaz de destruir a sua auto-estima em questão de segundos se você não tiver cabeça para aguentar porrada. E esse esporte me mostrou que uma coisa que eu aguento é PORRADA! Sou mulher. E muito feminina, diga-se de passagem. Mas tenho a mente forte. E aguento muita, mas muita, mas MUITA porrada!!! Portanto benhê, pode vir quente que eu estou fervendo!!! 😘 😜

Ao terminar essa competição, provei mais uma vez para mim mesma de que somente eu sou capaz de impor os meus limites. Ninguém mais. Jamais nessa vida aceitarei feedback distorcido de gente que não viveu METADE do que vivi.

Embora o escopo disso tudo seja de ordem pessoal, eu tenho noção dos impactos de minhas ações no mundo que me rodeia. Eu sei que hoje sou uma inspiração para muitas pessoas que, assim como eu, estão aí tentando equilibrar inúmeros “pratinhos”. Filhos, marido (esposa), carreira… Que bom! Me sinto feliz de poder ajudar! De motivar pessoas!!  Em contra partida também sei que incomodo muita gente. Tem aqueles que te olham torto: “ Tá se achando!”. Mas a vida é assim mesmo… não dá para agradar gregos e troianos. Tem muita gente amarga nesse mundão aí afora. Mas eu prefiro seguir com a minha filosofia de vida. Sou do bem. Quero fazer a diferença. Dar a minha contribuição para o universo. Não sou nenhuma Kate Perry. Não sou o Nelson Mandela. E nem o Donald Trump. Ou seja: minha ações não tem um alcance estratosférico e o meu pequeno blog hoje só tem 200 seguidores. Mas certamente, dentro do meu pequeno círculo de amizades, sei que faço a diferença. Estou dando a minha contribuição para um mundo melhor. Por meio do exemplo, sei que posso agregar algo positivo na vida das pessoas que me rodeiam. Disseminando energia boa. Motivando as pessoas.  Minha filha viu a mãe no limite da exaustão, terminando uma prova de 7h, sem desistir. Preciso dizer algo mais?

E agora? What is next?

Agora não tem jeito. Próximo desafio IM!!!! 😱

Não sei quando. Não sei onde… mas um dia…

Beijos, obrigada pela torcida e boa semana para todos.

#famíliadealtaperformance #içamitiba

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