Voe minha filha! Descubra o mundo…

Outro dia uma amiga postou um texto que me deixou angustiada. Nem dormi a noite. De tanto que fiquei pensando no assunto. O texto falava sobre uma mãe que viajou de Washington para São Paulo de primeira classe e deixou a filha de 6 anos na classe econômica. Detalhe: sozinha. Vocês chegaram a ver esse texto? Tava rolando aí na internet. Bem… a cena foi todinha presenciada por uma terceira pessoa a qual descrevia nos mínimos detalhes como transcorreu o vôo de 9h com a menina ali ao seu lado, completamente sozinha.

Gente … é aquele negócio, o lobo mau sempre vai ser mau se somente ouvirmos a versão da Chapeuzinho Vermelho. Mas pelamor, né? Não tem muito o que explicar! Coitadinha da menina!!! Fiquei realmente comovida com a história. Ainda mais eu que sou super chiclete com a minha filhota. Quando viajamos juntas, não desgrudo um segundo sequer da pequena. Acho que sou até um pouco exagerada. Para vocês terem noção do grau de apego, quando caminhamos no aeroporto, ela já sabe qual é regra: “Já sei mamãe, mãozinha no bolso!” Isso mesmo! Ela não pode tirar, em hipótese alguma, a mão do bolso de trás da minha calça. Andamos conectadas. É até meio desengonçado o negócio. Imagina a cena da mamãe andando feito uma pata pelo corredor, arrastando uma mala com cada mão e com a filha dependurada no bolso da calça. Mas gente… vamos e venhamos: Deus que me livre e guarde se alguém me rouba essa menina. Eu perco o meu chão!!!! Meu mundo acaba!

Meu marido às vezes diz que eu exagero um pouco. Que sou super protetora. E olhando friamente, eu tenho que concordar que às vezes passo mesmo dos limites. Acabo resolvendo muito coisa por ela e acabo não dando a oportunidade de ela se desenvolver sozinha. Preciso melhorar…

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Mas aí é que tá: qual é o limite? Eu juro que não sei. Eu não sou educadora, psicóloga e afins! Por isso mesmo que, vira e mexe, acabo lendo matérias e livros sobre o assunto. Justamente para aprender como é que se faz. Sempre que possível, procuro aplicar técnicas e metodologias que são sabidamente efetivas na educação de nossos pequenos. Converso com outras mamães, “troco figurinhas” e vamos que vamos! E gente… de boa: nem sempre a gente educa “by the book” não é mesmo? Por mais que a gente tente seguir as boas práticas da literatura, tem coisa que é puro bom senso, vai! Até porque cada criança é única! Cada um tem uma personalidade e às vezes o que vale para um não vale para o outro… e aí vai! Mas uma coisa é certa: educar não é algo super mega natural. Cada palavra colocada de maneira equivocada, cada ação incoerente… são coisas que podem causar danos irreversíveis na alma de nossos pequenos. Por isso que a todo momento, temos que ser calculista! E deixe-me explicar: calculista nem sempre traz uma conotação ruim, hein gente! Quando digo que temos que ser calculistas é porque temos que calcular mesmo, oras bolas (nossa, essa expressão é do tempo da vovó! Não sei como me veio à cabeca!). Mas é isso aí: temos que calcular qual o próximo passo. Calcular o que vamos dizer quando ela me faz perguntas cabeludas, do tipo “como eu fui parar na sua barriga, mamãe?”, essas coisas! Como agir! It is what it is: algumas de nossas ações tem que ser literalmente premeditadas.

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Por exemplo: outro dia estava aqui no nosso apartamento temporário dando uma ordem na bagunça enquanto a Catinha assistia um pouco de TV. Aí me dei conta que talvez fôsse oportuno envolvê-la na arrumação, afinal a dona senhorita já tem 8 anos:

“Catinha você pode fazer um favor para mamãe? Vai lá na recepção e pede para a moça trocar essas toalhas? Você sabe falar isso em inglês?”

“Sei sim mamae!”

E lá foi ela pelo corredor com as toalhas dobradinhas nas mãos. Eu, como mãe coruja de carteirinha e assumida, fui atrás sem que ela percebesse. Fiquei ali à espreita. E ela:

“Could you please change the towels?”

E a recepcionista:

“What is the room number?”

Pausa para reflexão: eu simplesmente odeio quando estamos fora do país e o pessoal te faz uma “contra pergunta” em inglês! ‘Tão me entendendo? Não é possivel… vocês ja passaram por isso vai! Poxa vida, chegamos lá, ensaiadinhos, “the book is on the table”, frase feita e pá: contra pergunta!! Vocês não querem simplesmente sumir? Afundar a cabeça na terra que nem um avestruz??? Ou sou só eu! Os epsódios mais clássicos acontecem nos resturantes: “How do you want your meat?” PQP!!!! Nessas horas, penso comigo: “Traz a carne e não me faça mais perguntas!”. Teve uma época que eu só sabia falar WELL DONE. E acabava me dando mal, pois particularmente gosto da carne ao ponto! Mas fazer o quê! Comia a bichinha “esturricada” mesmo! Pois morria de vergonha que viessem mais perguntas! 😉 Bom, continuando… 

Oh ow!!! Por essa ela não esperava! E lá volta ela correndo pelo corredor toda espalhafatosa e sorridente!

“Room number, mom! Room number!”

“One two zero, sweet heart!”

“Thanks mom!”

Fiquei com um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto durante o resto do dia. Eu não conseguia acreditar no que eu tinha acabado de presenciar. Super desenvolta. Sem a menor vergonha. A pequena foi lá e se arriscou. E quanto a mim? Então … se eu não tivesse tido a incrível e genial ideia de dar a ela essa oportunidade de arriscar-se, ela jamais teria vivenciado esse friozinho na barriga de tentar algo pela primeira vez! Eu aprendi que ela é muito mais capaz do que eu imaginava. Às vezes fico achando que ela não tem idade para determinadas atividades, mas olha só que surpresa gostosa: tem sim!!! Confesso, que para mim é muito cômodo ir resolvendo as coisas do dia à dia sozinha, no meu próprio ritmo, enquanto ela fica bozinha vendo  um pouco de televisão. É mais rápido e prático. Mas não é certo. Ela quer ajudar! Ela se sente útil. Ela quer ser desafiada, quer contribuir e ouvir um elogio gostoso no final: “Good job!! I am very proud of you!!”.

O ponto é o seguinte: educar é isso. O tempo todo temos que estar premeditando nossas ações. Desafiando nossos pequenos. Eu confesso que tenho um pouco de dificuldade de deixá-la muito livre, leve e solta. Quero sempre tê-la bem pertinho de mim, se possível no meu campo de visão. Para alguns pode parecer excesso de proteção. Já o oposto pode parecer relaxo. Vai saber qual o limite…?!

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Essa semana Catinha começou a frequentar a escola nova. Já não bastasse todo desafio inerente ao processo de se fazer novos amigos e encarar uma nova instituição de ensino, a minha princesa ainda vai ter enfrentar tudo isso em inglês, for God’s sake! Gente… meu coração de mãe não aguenta uma coisa dessas! No primeiro dia de aula, fiz questão de descer do carro e levá-la diretamente até a porta da classe. Ela dizia: “Pode deixar mamãe, eu sei o caminho!” Mas não dei ouvidos à ela e fui junto. Pelo menos no primeiro dia. Inventei a desculpa de que queria tirar fotos para guardarmos de lembrança mas a verdade é que eu queria garantir que ela seria entregue em segurança. Pelo menos até que eu conhecesse a dinâmica da escola. No segundo dia, nem estacionei o carro. Parei na porta da escola e lá foi ela. Com a mochilinha do Mario Bros nas costas. E fui embora. Com lágrimas nos olhos, claro, pois não sou de ferro! Mas feliz de vê-la feliz. Tão corajosa. Tão “pra frente”! Fico me perguntando se ela entende o que a professora diz. Se ela sabe perguntar aonde é o banheiro. Ou usar direitinho a conta que abrimos para ela na cantina. Preocupação de mãe. Vocês sabem como é que é. E isso não vai mudar. De qualquer maneira, no fundo do meu coração, fica uma sensação de tranquilidade. Eu certamente ja errei e tenho certeza que sempre posso melhorar no que diz respeito a educação de minha filha. Mas lá no fundinho, algo me diz que estou no caminho certo. Pois essa menina tem um brilho no olhar e uma vontade de viver que só pode vir do ambiente de amor que a rodeia. Além de sua personalidade encantadora, claro! Quem a conhece sabe como ela é doce e carinhosa.

Voe minha filha!!!

E para fechar o post de hoje, quero compartilhar com vocês uma frase que li em um quadrinho na “farmer’s market” de nossa cidade, a qual visitamos esse fim de semana:

“I can’t promise that I will be here for the rest of your life. But I can promise that i will love you for the rest of mine”