Vida de expatriado não é fácil não !

É minha gente … quem vê pensa que é moleza a vida de expatriado. Viver no estrangeiro, no “bem bão”… mas saibam que nem tudo é um mar de rosas! Não mesmo! E olha que posso falar com conhecimento de causa, hein! Já tenho 4 experiências no currículo! E cada mudança é um novo desafio. Primeiro temos a barreira da língua. Depois da cultura. Sem contar as coisas práticas do dia à dia. Nem ao menos estamos familiarizados com as marcas dos produtos do supermercado! Pois é … nos sentimos um pouco perdidos. Principalmente no começo. Depois vamos pegando “as manhas”.

Na Alemanha, o que “pegou” mais foi a língua. Mas também … ninguém merece vai! Alemão é difícil pra caramba! Eu até tinha feito um intensivão antes de nossa viagem, mas a percepção que eu tinha é que tudo tinha sido em vão. No início, não entendia bulhufas do que o povo falava. Era realmente frustrante. Depois foi melhorando…

No México, confesso com a nossa integração sucedeu de forma mais tranquila. Talvez porque as barreiras da língua e da cultura tenham sido menos chocantes. Digamos que os mexicanos são os brasileiros do hemisfério norte. Adoram uma festa, fazem amigos facilmente, curtem um churrasco… esse tipo de coisa. Eu realmente me sentia “em casa” quando vivia lá.

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Essa é a segunda experiência que estamos tendo de viver nos EUA. A primeira foi 1998 quando éramos intercambista na High School. Eu e o Valdinho cursamos o último ano de colegial por aqui. Ele lá em Minnesota e eu no Texas. Nessa ocasião, tivemos a oportunidade de aprimorar o inglês e aprender um pouco sobre a cultura do país. Portanto, dessa vez, podemos dizer que já estamos “meio caminho andados”. Já sabemos mais ou menos com as coisas funcionam e o choque cultural já não foi tão grande. Com certeza para minha filha tudo é muito novo, mas para mim e para o Valdinho, tipo: “já vimos esse filme antes”!

Enfim… com todas essas experiências no currículo e depois de “bater um pouco a cabeça” eu acabei observando alguns padrões comuns à todas as nossas experiências que nos ajudaram bastante nos processos de adaptação. Deixa eu contar para vocês quais são eles:

3 dicas para quem vive fora do país 

1.Fuja de brasileiros

Eu sei ! Quando a gente muda para um outro país, o que a gente mais quer é caçar outro brasileiro. Alguém que compartilhe com a gente algo em comum: a língua, os costumes, etc. Eu confesso que nunca fui por essa linha. Claro! É sempre bom ter uma referência e contatos são sempre bem vindos! Mas se vc realmente tiver a fim de aprender uma nova cultura e de se integrar com o pessoal, é importante mergulhar de cabeça na dinâmica do seu novo pais! Em todos os países onde moramos, tivemos pouquíssimo contato com brasileiros, exceto no México, onde fizemos amizade com uma família de brasileiros com a qual tínhamos uma baita de uma sintonia. Eles também eram triatletas, vieram de São Paulo, tinham duas filhas pequenas… enfim! Foi só porque teve FIT! Aqui nos EUA já estamos em contato com membros da família de grandes amigos nossos do Brasil. Aí também! Já existe um laço forte que nos permite abrir exceções. Mas fora isso, interagimos só com os gringo! Acho que essa foi uma das razões pela qual nos demos tão bem em nossas expatriações. Hoje, posso afirmar que tenho grandes amigos em várias partes do mundo. Não é legal isso? Alguns ja vieram nos visitar, eu mesma já fui visitar vários deles… isso é que é globalização! 😃

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2. Faça esporte

O esporte é uma ferramenta que ajuda, e MUITO, na nossa integração. É o melhor jeito de conhecer pessoas e fazer amigos. Devem ser os hormônios da felicidade! Todo mundo que faz esporte é super “pra cima”, super aberto a novas experiências… enfim! É realmente muito legal. Na Alemanha, logo que chegamos, entramos para o time de thriatlon da cidade. Começamos a nadar na piscina pública com o pessoal, fazer hiking pelas montanhas, etc. Muito legal! No México, logo que chegamos, visitamos logo de cara a loja de bike da Specialized, só para sondar quais eram os grupos de pedal da cidade, que horas ou onde eles saiam para “rodar”, como diziam os mexicanos… enfim! Queríamos já saber qual era “o esquema” do pessoal! Ciclista sempre marca de pedalar junto na estrada… é batata! Logo já estávamos pedalando em pelotão! Aqui nos EUA, tenho conhecido muita gente na academia. Me matriculei em uma academia super legal da rede Gold´s Gym e praticamente já tô na fase de cumprimentar todos os (as) US marines com aquele ¨soquinho¨ na mão, benhê! Aqui tem uma base do exército muito grande, então já viu né!? Só militar na área! Também entrei para uma equipe de ciclismo e já tô até no grupo de messenger da galera. Combinando treino de fim de semana e tudo mais! Outro dia, o Valdinho me ligou do trabalho dizendo que eu já estava super famosa! Que o escritório dele inteiro já sabia que eu estava inscrita para fazer a prova de ciclismo beneficente da MS Bike Ride, para angariar fundos para os estudos da esclerose múltipla. É um evento super famoso na cidade. Enfim… mas é isso aí: faça esporte e você estará bem na fita! Estou aqui dando o exemplo do triathlon, mas vale qualquer esporte: golf, futebol, hidroginástica, etc. É assim que a gente acaba conhecendo gente!

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3. Aprenda a língua

Sempre que eu chego em algum país, faço questão de me esforçar para aprender a língua local. Juro! “Ah, mas e se você fosse para China?”! Pois eu ia aprender mandarim!!!  Ah benhê, pode ter certeza que eu ia pelo menos tentar! Se eu bem me conheço, ia dar o sangue para aprender todas aquelas letrinhas e ia fazer amizade com todo mundo que tivesse olhinho puxado! Aprender a língua local ajuda, e MUITO, no processo de integração, sem contar que é muito divertido, vai! Aprender línguas sempre foi uma de minhas maiores paixões! E viver fora do país é uma oportunidade única de aprender novas línguas de uma maneira mais descontraída. Mas tem que estudar, hein!!?? O negócio não vem por osmose! Tem que sentar o bumbum na cadeira todo santo dia e estudar feito uma condenada, senão o negócio não vai. Nem que seja meia horinha por dia. Vocês sabem que tenho acompanhado de perto a Catinha nas tarefas de casa e isso tem me ajudo a desenvolver ainda mais meu vocabulário em inglês? Por exemplo: uma das tarefas é ler diariamente 10 páginas de um conto infantil. Fazemos isso juntas pois fazemos uma pausa a cada parágrafo para podermos interpretar o conteúdo e traduzir as palavras que desconhecemos. Só essa semana aprendemos várias palavrinhas novas!  Rhinestone que significa “strass”. Tiptoe que significa “andar na ponta dos pés”. E potluck que significa “festinha onde cada um traz um prato de doce ou salgado”.  E por aí vai. Temos que arregaçar as mangas e mãos à obra!

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Abra sua mente…

Bom, em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que essas dicas, foram muito válidas para mim em todas as minhas experiências internacionais, mas que fique claro: não são regra!! Obviamente, outras pessoas podem usar táticas completamente diferente para  se adaptar e OK! O que vale aqui é garantir a imersão em uma nova cultura! Não importa qual a tática adotada! Em segundo lugar, esse “check list de expatriado” pode parecer lindo e maravilhoso, mas não serve de nada se a pessoa não estiver realmente dispostas a vivenciar essa incrível experiência que é morar fora de nosso país, conhecer outras culturas, e principalmente, compreender e aceitar, de coração aberto, outras formas de pensar e de viver. Expandir os nossos horizontes. Viajar de turismo é sempre muito gostoso, mas é diferente. Não sei explicar. Tem coisas que a gente só vivencia morando fora mesmo. Por exemplo, vocês sabiam que nos Alpes alemães, existe uma região que chama-se Allgäu, e que todo ano, bem no dia 6 de janeiro, eles coletam as árvores de natal das casas para fazer uma enorme fogueira bem no centro da cidade, de uns 10 metros de altura ou mais, com um espantalho gigante no topo? E quando eles ateiam fogo na fogueira, se o espantalho queima bem rapidinho, isso significa que o inverno vai embora rápido também? É uma tradição regada a muito Glühwine (vinho quente) e curry Wurst (salsicha alemã com molho curry)! Ou então, vocês sabiam que no Mexico, eles celebram o dia da morte com uma baita de uma festa no cemitério da cidade? Eles trazem comida, “pan de muerto”, tequila, mariaches e tudo o que têm direito? Pois é … são coisas que a gente não vê em Cancun. Ou visitando o Portal de Bradenburgo. Que aliás, são passeios muito bacanas também, diga-se de passagem! Adoro fazer turismo… mas enfim! São experiências completamente distintas!!!

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E viu gente: morar fora não é algo exclusivo para aqueles que já vão com emprego garantido lá fora! Tem oportunidade para estudante, para voluntários e para profissionais dos mais diferentes níveis (de especialista à executivos). Existem muitos países receptivos à estrangeiros. Conheço muita gente que partiu de “mala e cuia” para o Canadá, para Austrália, Europa etc. Claro que se a pessoa possui uma boa formação, se possível de ensino superior, tudo fica bem mais fácil. Afinal, alguns países são muito carentes de profissionais qualificados. Mas enfim… tem que ir atrás! As universidades fazem muitos intercâmbios com bolsas para estudantes, os próprios consulados possuem programas para atrair talentos… é tudo uma questão de “fuçar”!

Para quem tem alma de explorador, morar fora é um prato cheio! Pois te proporciona experiências muito únicas, profundas e marcantes. É realmente muito especial!

Beijos e até o próximo post!

 

Ma