Ironman 70.3 Augusta, USA ! Eu fui!

Tardo mas não falho. Aliás, esse já virou o meu jargão não é mesmo, gente!? Ando tão cheia de atividades por aqui (juro!!) que sobra pouco tempo para me dedicar ao meu querido blog que eu tanto amo! Mas fiquem tranquilos… continuo por aqui. Renovei minha licença do WordPress por mais um ano. Então prometo que não ire abandoná-los.

Vamos lá: Ironman 70.3 Augusta, GA!

Quanta emoção!!!

Minha primeira prova de 70.3 em um IRONMAN oficial. Demais!!! Que organização. Que estrutura. Que evento mais TOP!!! É realmente um grande espetáculo!! E de agora em diante só quero participar de prova dessa marca. Bom … o Challenge também deve ser bacana. Mas o Ironman, é sem sombra de dúvida uma experiência única!

Senta aí que lá vem história.

A inscrição

Desde o momento que soubemos de nossa mudança para cá, eu e o Valdinho fomos ao delírio: EUA !!! A meca do Ironman!

Parecíamos dois loucos “fuxicando” o site oficial do Ironman para ver as opções de prova para essa temporada. Tem gente que começa a planejar a viagem para NY ou a primeira visita ao Outlet Premium mais próximo, não é verdade? Pois nós dois vamos atrás de prova de triathlon 😂 ! Dois malucos, fala sério!

Ficamos abismados com o tanto de opção, minha gente! No Brasil eles tem apenas 3 grandes eventos de IM 70.3, fora os Long Distances e os Challenges, mas aqui… tem uns 30 eventos ou mais!!! Sem brincadeira. Bom, depois de muito pesquisar na internet, chegamos ao seguinte consenso: eu faço Augusta (GA) em setembro e ele faz Wilmington (NC) em outubro! Augusta fica a cerca de 5h de carro de onde moramos. E Wilmington, a apenas 2h daqui. Perfeito! Não teríamos que despender tanta verba com o deslocamento + hospedagem e poderíamos fazer uma logística de “bate e volta” em apenas um fim de semana sem que a Catinha perdesse aula. A gente queria muito poder fazer uma prova juntos, mas não teve jeito: no momento temos que operar no modo revezamento por conta de nossa pequirrucha! Aqui não temos mãe, sogra e a “tchurma” toda para nos dar suporte técnico. Sem contar que ainda não temos alguém de confiança para ficar de olho na Catinha enquanto fazemos a prova. Faz parte … nossa filhota em primeiro lugar, SEMPRE!!!!

Ironman 70.3 Augusta, GA

Ouvimos dizer que essa é a segunda maior prova de Ironman 70.3 do mundo. Foram cerca de 2500 inscritos esse ano. Bastante gente, né!? Acho que por conta da opção de revezamento, que não é muito comum nas demais provas de 70.3. Eu particularmente achei muito bacana eles incluírem essa modalidade na prova. Isso a torna mais acessível para um maior número de atletas. Tem gente que não nada, mas corre. Que não pedala, mas nada… enfim! É uma maneira de incentivar pessoas a começarem a fazer triathlon. Outro ponto que talvez torne essa prova tão popular é o fato de ela ser uma das últimas provas da temporada no hemisfério norte antes de começar a esfriar. Sem contar que é bem plana. Ou seja, é uma prova bem tranquila! Super recomendo para quem estiver começando no esporte de longa distância.

  • Ironkids

No sábado que antecedeu a prova (23 de setembro), o pessoal organizou um evento chamado IronKids. Muito legal!!! Era basicamente uma prova de corrida para as crianças. Parte da molecada correu 0.5 milhas de forma mais lúdica. Mas teve criança que correu para valer 1 milha! Que nem profissional! Eu particularmente achei o evento super bacana. É uma maneira saudável de incentivar as crianças a fazer esporte, a competir e superar limites. Elas ganham camiseta e medalha. É muito fofo!

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  • Feirinha

Bom gente, eu adoro fazer umas “compritchas”, né!? Então eu simplesmente ia ao delírio quando eu via aquele monte de produto do Ironman: roupa de triathlon, camiseta, garrafinha de bike, caneca… eu mesma acabei comprando um capacho para minha casa!!  É difícil de se segurar! Sem contar as demais barracas de lojas especializadas como a “Inside out”, Normatec (botas de recuperação), Rudy (óculos e capacete), Specialized… aquilo era o paraíso dos triatletas.

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  • A prova

Essa é uma prova diferente da que estamos acostumados no seguinte sentido: as transições da natação, da bike e da corrida não acontecem no mesmo lugar. Isso acaba dificultando um pouco a logística da prova especialmente para os espectadores que têm que ficar andando para cima e para baixo o tempo todo. Mesmo para nós atleta, o negócio foi um pouco complexo demais na minha opinião: deixa a bike aqui, vai nadar para lá, vai correr “não sei aonde”… confesso que fiquei meio perdida uma hora. Parte das vias de acesso estavam fechadas por conta da prova e foi aquela confusão! Mas no cômputo geral, valeu a pena ! O circuito não era repetitivo e isso deixava a gente mais motivado! Outra coisa que não curti muito foi a área de transição. As bikes ficavam muito próximas umas das outras no suporte e não tínhamos muito espaço para organizar nossos equipamentos. A sorte é que eu costumo levar tudo em uma cestinha, aí não tem perigo de perder minhas coisas. Sem brincadeira… estamos falando de no máximo 18 cm para cada atleta. Muito pouca coisa.

  1. Natação

A natação foi FENOMENAL!!! De longe a parte mais gostosa da prova! A gente nada no rio Savannah que é um rio de água doce e de temperatura agradável. Não precisa nem de roupa de borracha. E o melhor de tudo: nadamos a favor da corrente de um ponto a outro, ou seja, a natação é muito rápida. Para vocês terem uma idea, nadei 1900 m para 31 minutos enquanto a minha média para água abertas é de 45 min!! São várias ondas de largada separadas por gênero e grupo de idade. Então não tem aquela coisa de um atleta atropelando o outro na largada. A gente caminha até uma plataforma que se estende da borda até o meio do rio e começamos a prova de lá. Tipo um paredão de atleta nadando rio abaixo! É simplesmente DEMAIS! Tem mergulhadores e canoas fazendo a segurança da prova. Apesar da água escura, levemente marrom de barro, dava para ver as folhagens no fundo. Na verdade, o rio me parecia até relativamente raso. Teve uma hora, não sei porque, fiquei com medo de jacaré e de cobra! Me dei conta que ao longo do rio era puro mato e acabei ficando encasquetada. Aí bateu um pequeno pânico. Acho que foi isso que me fez apertar o passo! 😂

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Uma coisa meio chata é que minha largada aconteceu somente as 9h00. Ou seja … fiquei mais de 3h esperando para começar a minha prova. É muito tempo se formos levar em consideração que eu havia chegado as 6h00 da manhã para preparar a transição. Ainda bem que levei uma banana e um sanduíche com creme de amendoim senão ia atrapalhar todo o meu plano de nutrição.

Quando terminei a natação, fiquei super empolgada, pois vi que a grande maioria das minha “vizinhas” ainda não tinham chegado, pois as bikes estavam todas ali penduradas. Pensei comigo: “Mazinha, você mandou bem natação! Soca a bota na bike” !!! 😱

2. Ciclismo

Planinho … ô delícia! Só 400 metros de subida acumulada ao longo de 90 km. Fala sério: “piece of cake” para quem está acostumado com os pedais de Morungaba, vai? Juro, gente… ainda mais que peguei um clima gostoso. Estava calor, mas algo suportável. Levemente nublado. Nada de sol na cabeça. As subidas eram normalmente seguidas de descidas, então a gente mantinha o embalo, apertava a marcha e socava a bota. Praticamente não usei o volantinho. Sem contar que essa foi a primeira prova na minha Cervelinho P2. Pedalar de contra relógio em uma prova como essa faz toda diferença, hein? Ainda sou aprendiz de feiticeiro… mas gente, pelamos, o que é aquela bike? A aerodinâmica é incrível. Cheguei a pegar 50 km por hora nas descida o que para mim já é radical o suficiente!

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O legal dessa prova é que a vista é maravilhosa e tem torcida em tudo quanto é lugar. Muitos fazendeiros armavam barraquinhas na frente de suas propriedades e distribuíam água aos participantes. Outros ficavam estacionados em seus tratores, aplaudindo e segurando cartazes motivacionais: “You can do it” !!

Teve três postos de abastecimento. Eles ofereciam água, coca-cola, gatorade, barrinha de cereal, banana e até power gel. Vocês me conhecem … fiquei seca para comer de tudo um pouco! Mas nesse tipo de prova é melhor seguir a nutrição com a qual você já está acostumado. Nada de fazer experiências inovadoras no dia D. Somente comi uma barra de cereal no lugar do meu pão com creme de amendoim que mais parecia uma maçaroca depois de 2h colado no bolso suado do macaquinho… 😂 ! De resto … fiquei mesmo na água, no gel e no acellerade! 😉

O terceiro posto de abastecimento era de voluntários militares. E eles fizeram um negócio muito bonito: alguns metros antes do posto, eles colocaram várias fotos de militares com um pequeno texto: “Killed in Combat” e uma explicação da contribuição de cada uma daquelas pessoas às forças armadas. Fiquei muito comovida. Tinha inclusive imagens de mulheres jovens com seus filhos… triste! Mas novamente: uma bela homenagem. Aqui eles respeitam muito aqueles que defendem o seu país … é muito bonito.

Gente… pedalei forte. 😱

Eu costumo pedalar para 25 km por hora. Minha média nessa prova foi de 29!! Fiquei muito contente ! Sei lá… estava me sentindo bem. Tinha nadado bem. Fiz uma transição relativamente rápida para os meus padrões (considerando-se que eu tinha que secar o pé, “passar batom”, etc…). Pensei comigo: “Por quê não? Se eu quebrar na corrida, eu ando, ué! Terminar eu termino. Custe o que custar!”. Foi aí que tomei a decisão de fazer uma prova um pouco mais forte do que eu havia planejado. Amei!!! Me empolguei! E não me arrependo! Acho que estava precisando desse desafio pessoal.

Teve uma hora engraçada, lá pelo quilômetro 70, que levantei o bumbum do selim para descansar um pouco e alongar as costas quando uma moça que estava atrás de mim me disse: “I hear you”… morri de rir! Ai como dói a retaguarda! 😁 Imagina em um Ironman completo…

Entreguei a Cervelinho com 3:05 de percurso. Meu tempo anterior era de 3:30. Fiquei muito feliz com meu desempenho!

3. Corrida

Bom, entreguei a bike e de novo: fiz uma transição tranquila. Fui ao banheiro pela primeira vez durante a prova. Me hidratei bem. Ajeitei minhas “muambas” no corpo (gel, número, boné, relógio…) e fui! É incrível como sofro nos primeiros 2km de corrida. A perna parece que não entende que é hora de correr. E que já chega de pedalar. Mas lá pelo quilômetro 2 comecei a correr de verdade. Fiquei impressionada com o meu pace. Eu praticamente corri a um pace de 5:40 a 6:00 durante os 13 primeiros quilômetros. Não andei em momento algum. Por outro lado, confesso que parei em todos os postos de abastecimento, sem exceção. Por isso que a minha média foi computada com pace acima de 7:00. Mas tudo bem… essas paradas foram importantes e sem elas eu teria sofrido ainda mais na prova. Era cerca de 30 segundo a 1 minuto de descanso a cada 1,5 milhas mais ou menos. Eu tomava água, gatorade e as vezes coca-cola. Eu também alongava um pouco. Eles também estavam dando gelo para jogar dentro do macaquinho e umas esponjas de água gelada para espremer em cima da cabeça. Estava muito quente. Na hora da corrida começou a fazer um sol de rachar mamona. Minha corrida estava tão “encaixadinha” , mas tão “encaixadinha”, que de repente eu percebi que muita gente tentava me acompanhar! Fiquei me achando a última bolacha do pacote, óbvio! 😂 Quem diria … que a pangaré aqui ia ser pacer de 70.3! “Vem nimim”😂

Do quilômetro 14 ao 18, diminui um pouco a velocidade. Senti uma fisgada na coxa e fiquei preocupada. Se eu tivesse câimbra, minha prova acabava ali. Nessa hora meu dei conta de que precisaria incluir uma capsula de sal em minha nutrição. Ponto de melhoria para próxima prova. Parei, “mandei para dentro” uma banana e fui mais devagar. A partir do quilômetro 18, comecei a sofrer. Me deu um baque e tudo começou a doer. Bolha no pé molhado, musculatura da perna trincando, calor insano… tudo era péssimo! Fechei a cara e corri olhando para o chão. O circuito da corrida era fechado. Eram duas voltas de 10.5 km cada. Corremos por downtown e tinha muita gente assistindo e vibrando com a gente. Os estabelecimentos tocavam músicas, as pessoas levam cadeirinhas, apitos, cartazes motivacionais, etc. Eles tinham uns muitos engraçados:

“Smile if you are not using underwear!”

“When you pass, we will look at your ass”

Mas chegou uma hora que nada mais me fazia sorrir. Eu só queria acabar a prova o mais rápido possível. De repente, lá pelo quilômetro 20.5 cheguei na  bifurcação que dizia: “Second Lap versus Finish line” !! Senhor… pensa em uma pessoa feliz?  Quando vi a tal da plaquinha, peguei o rumo do Finish Line e comecei a sorrir de orelha a orelha!!!

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Cruzei a linha de chegada extremamente emocionada! Fiz a corrida para 2:25, apenas 10 min acima do meu tempo regular de meia maratona. Espetacular!

  • Pós prova

Como eu comentei com vocês, o Ironman 70.3 é uma prova muito estruturada. Tanto é que não se pode cruzar a linha de chegada com nenhum membro da família. O foco é total em cima do atleta. E ponto final. Confesso que essa é a única parte que eu não gostei muito. Gosto de dividir esses momentos especiais com a minha família. Mas entendo que o negócio fica mas organizado quando se colocam alguns controles. A área de descanso já é super tumultuada com aquele monte de atleta estropiado, imagina quando se junta a mulher, o filho, a avó e o papagaio… não dá! A área de recuperação fica uma zona! Ao cruzarmos a linha de chegada, ganhamos um boné de “Finisher”, entregamos o chip e ganhamos uma medalha. Na área exclusiva de atletas, eles disponibilizam mesas de hidratação e alimentos. Tem até pizza e cerveja!!! Também tem tendas de massagem e serviços médicos. Deu muita vontade de ficar ali curtindo a bagunça com o pessoal após a prova. é muito legal ficar batendo papo para recapitular os melhores momentos da prova! Mas realmente precisávamos pegar estrada de volta para casa! Nem ficamos para o jantar de encerramento.

  • Fim!

Terminei a prova em 6h15 (45 minutos abaixo de meu recorde pessoal)! É realmente uma grande satisfação chegar até aqui. Foram muitas horas de treino e dedicação. A quase três anos comecei a fazer provas de endurance e eu particularmente percebo a minha melhora ao longo de todo o processo. Aprendi muito com todos os meus treinadores (Lucy, Rô, Samir, Gabriel e Palermo) e cada um deles foi muito importante nessa minha trajetória. Sem a devida orientação profissional dessas feras do esporte, eu jamais teria chegado até aqui. Tem toda uma “ciência” por trás disso tudo e todos têm o meu mais humilde respeito pela seriedade do trabalho que conduzem. Ele é que mandam! Em que momento treinar o que, com que intensidade, a que distância… quando seguimos a risca as orientações dessa tchurma… ahhhhh benhê… taí o resultado! Cada um com a sua metodologia e todos com muita sabedoria!!!

Não posso deixar de lado o meu próprio mérito, né gente! É lógico que uma parcela desse resultado também cabe a mim. E uma baita de uma parcela! Além de preparo físico, precisamos de um grande trabalho mental para encarar um desafio como esse. Como diz meu amigo e coach Palermo, “a porrada é grande”. E é mesmo!!! Já disse isso em algum outro post, mas aqui vai novamente: “motivação é uma chave que só se abre de dentro para fora!”. Mas uma coisa eu garanto: qualquer um é capaz de fazer essa prova! Basta querer e treinar!

Bom pessoal … é isso aí! Próximo desafio Maratona da Disney! 42k !!! Dando continuidade aos trabalhos e amadurecendo a ideia de um IM completo. Quem sabe dentro dos próximos 2 anos… mas sem pressão, hein gente! Ainda tô pensando no assunto!!! Afinal, estamos falando do dobro de um 70.3!! 140.6 milhas. Senhor… 4 km de natação, 180 km de bike (😱) e 42 km de corrida (😂)! Insano, né ? Estimo que eu deva precisar de umas 15h para terminar uma prova dessas… não é brinquedo não, Dona Jura! Preciso me preparar fisicamente e mentalmente para uma loucura dessa proporção! Já perdi alguns de meus parafusos a muito tempo atrás… mas os que me sobraram já estão bem frouxos! Como se diz lá no meu querido Mexico : “A ver “… 😂