Eu consegui: sou uma PMP!

Oi pessoal,

Eu sei que tinha prometido um post sobre a maratona da Disney, mas como esse assunto está mais fresquinho na cabeça, decidi passa-lo na frente! Vamos lá?

Quem já prestou vestibular aí, levanta a mão? Difícil, né?

Então… múltiplica isso por 50. Dá para sentir o drama? Tenso, né? Pois é… esse é o exame de PMP! Bom… calma lá! Não quero gerar polêmica… afinal, nessa vida tudo é relativo, não é mesmoTô aqui dividindo com vocês a minha opinião: a prova do PMP, foi a mais difícil que eu já fiz na vida! Mas enfim…deixa eu contar para vocês direitinho, o que é esse tal de PMP ! E porque eu fiquei “toda toda” com essa minha mais nova conquista!

PMP

Project Management Professional. Essa é uma certificação global para Gerentes de Projetos concedida pelo PMI (Project Management Institute). Pelo que andei lendo, trata-se da quarta certificação mais valorizada do mundo, perdendo apenas para três outras certificações relacionadas à segurança de sistemas operacionais. TI basicamente. E existe menos de 1 milhão de PMPs certificados em todo mundo! Ou seja… daí vocês podem imaginar como o negócio é tenso! E especial! Por isso minha tamanha alegria ao ter conquistado essa certificação.

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Para começo de conversa, não é qualquer um que pode prestar essa prova. O candidato deve comprovar sua elegibilidade mediante o atendimento dos seguintes requisitos:

_ Formação no ensino médio + 7500 horas de experiência liderando projetos + 35 horas de educação em gestão de projetos

ou

_ Formação superior + 4500 horas de experiência liderando projetos + 35 horas de educação em gestão de projetos

Ou seja, não basta estudar. Tem que ter experiência profissional na área.

Mas o que são projetos?

Segundo o PMBoK, “um projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo”. A construção de uma casa. A criação de um software. A organização de uma festa de casamento. O desenvolvimento de um novo produto. Tudo o que eu faço “uma vez na vida e outra na morte” é basicamente um projeto. Tudo o que não é processo. Rotina. Dia à dia.

Então, imaginem vocês a criatividade e o jogo de cintura que um gerente de projeto não tem que ter para gerenciar uma coisa que nunca ninguém fez! A gente tem que partir de algum lugar, não é mesmo? E o PMBoK está aí justamente para isso: para ajudar a gente a organizar as ideias.

De forma bem resumida, o PMBoK reconhece a existência de 47 processos na gestão de projetos, distribuídos em 5 grupos de processo:

  1. Initiation
  2. Planning
  3. Executing
  4. Monitoring and Controlling
  5. Closing

E 10 áreas de conhecimento:

  1. Integration
  2. Scope
  3. Time
  4. Cost
  5. Quality 
  6. Human Resources
  7. Communications
  8. Risk
  9. Procurement
  10. Stakeholders

O PMBoK é a bíblia dos gestores de projeto.

A prova

O exame de PMP é realizado em um dos centros do Prometrics, uma empresa voltada para aplicação de testes de computador em nome de diversas organizações, instituições de ensino, etc. Eu fiz o meu em Greenville, Carolina do Norte, que fica a 1 hora de onde eu moro. Bem profissional o negócio.

São 200 questões de múltipla escolha, sendo que só somos avaliados em 175 delas. As demais são utilizadas para balizar o grau de dificuldade das questões, de forma que as mesmas sejam futuramente incluídas no banco de dados de perguntas. O PMI não abre qual o score para passar. Mas acredita-se que seja em torno de 65-69%. Temos 4 horas para responder as questões e o resultado sai na hora com um dos seguintes status: above target, target, bellow target e needs improvement. Caso o candidato reprove na primeira tentativa, ele tem mais duas chances um período de um ano. Cada tentativa custa cerca de 100 dólares.

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Minha experiência 

Bom, depois de explicar para vocês o que é PMI, PMP, PMBoK e afins, deixa eu contar para vocês a minha trajetória.

Eu sempre quis prestar esse exame. Fiz meu MBA em Projetos entre 2011 e 2013, e queria aproveitar para fazer a prova nessa época justamente quando estava com o conteúdo fresquinho na cabeça. Com a pós, eu já atendia o requisito de 35h de educação em projetos e já seria elegível para prestar o exame. Comprei o PMBoK, me afiliei ao PMI… mas a verdade é que, com a loucura do dia à dia, trabalhando, cuidando de criança pequena, da casa, da vida, nunca consegui me organizar para estudar.

Quando eu estava no México, comprei o livro da Rita Mulcahy, que é o Preparatório de PMP mais conceituado do mercado. Li e reli os requisitos da prova mas era tudo tão complexo que acabei desistindo.

Quando decidimos vir para os EUA, voltei a pensar no assunto. Agora mais do que nunca! Afinal, além de ter o tempo necessário para estudar uma vez que não estou trabalhando, essa certificação poderia me abrir muitas portas na busca de uma recolocação profissional. Especialmente na região onde estou morando onde existe uma demanda altíssima para profissionais de projetos. Sem contar que o mercado realmente valoriza quem tem essa certificação. Uma certificação PMP seria um grande diferencial para o meu currículo.

Foi então que em dezembro do ano passado, comecei a estudar. Achei o livro da Rita Mulcahy dentro de uma das caixas que ainda estão empacotadas na garagem, soprei o pó da capa e pensei comigo: vamos lá! O livro é uma bíblia tamanho gigante. Bate até um desânimo quando você se depara com a quantidade de conteúdo que tem para estudar!

Bom, no começo foi difícil de pegar no tranco. Viajamos para Minnesota no natal e para Florida em janeiro e isso foi quebrando um pouco o meu ritmo de estudo. De qualquer maneira, fui lendo o livro aos poucos, fazendo os resumos e os exercícios de fixação. Mas mesmo depois das férias, eu sentia que o negócio não estava rendendo. Eu perdia a concentração facilmente. Ficava enrolando. Ia brincar com o cachorro. Ou atacava a geladeira. Foi então que me dei um xeque mate: “Dona Mayra, você vai fazer esse negócio direito ou não vai? Não adianta ficar se boicotando”. Foi então que fiz uma loucura: fiz minha candidatura online. E acreditem em mim: esse é um grande passo pois a candidatura por si só, já é um processo complexo. Eles te fazem mil perguntas sobre o seu histórico profissional. Pois querem ter certeza de que você é elegível para fazer a prova. Para vocês terem um ideia, o preenchimento da application me levou 5 horas. Sem contar o investimento: cerca de 550 dólares. Ou seja… você sente a brincadeira no bolso !

Aí só me restava esperar para saber se eles me aceitavam ou se eu cairia em uma auditoria mais criteriosa. Cinco dias depois veio a resposta: candidatura aceita ! Dali em diante era só agendar a prova. Tinha um prazo de até um ano para me organizar.

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Gente… o sinal verde do PMI meu deu uma injeção de ânimo. Foi a partir daí que podemos dizer que peguei firme nos estudos. Acordava cedinho, despachava marido e filha para o trabalho e para escola, treinava uma horinha aqui na bike de casa mesmo para otimizar ao máximo o meu tempo e sentava para estudar das 9h as 15h. Todos os dias. As 15h15 a Catinha voltava da escola e eu aproveitava para fazer tarefa e brincar com ela. Quando ia para cama, lia um pouco do PMBoK. Meia horinha toda noite.

Quando terminei a leitura do livro da Rita, fiz meu primeiro simulado online. Fiquei super frustrada com o meu desempenho: 62% ! A recomendação é que a gente vá para prova acertando mais de 75% nesses simulados. O pessoal aqui chama esses simulados de Mocks. Continuei estudando, decorando conceitos, revendo os pontos onde havia errado e onde eu tinha mais dificuldade. Fui fazendo outros Mocks gratuitos online além do RMC da Rita… Na semana seguinte, já estava conseguindo um score de 70%. A na terceira semana já estava acertando na faixa de 85-92%.

Quando cheguei nesse ponto, agendei a prova. O agendamento é feito online por meio de um código de elegibilidade que você recebe após passar na auditoria da candidatura. Marquei o exame para dali duas semanas, exatamente no dia 6 de março. E nesse período, aproveitei para dar mais uma passada de olho no livro da Rita e no PMBoK.

Dia da prova, bate forte coração! 

Acordei cedinho, tomei café e fui abastecer o carro. Adivinha? A bomba de gasolina estava com problema e após duas tentativas frustradas, travou o meu cartão de crédito. O único que temos, by the way. Olha … esse tipo de coisa geralmente me desestabiliza absurdamente. Mas na hora respirei e liguei para o Valdinho para ele me acudir. Fui busca-lo no trabalho e fomos juntos abastecer o carro com o cartão dele. Deixe-o de volta no escritório e parti para Greenville. Minha prova estava marcada para 12h30. Parei para comer alguma coisa no caminho e cheguei no Prometrics às 11h.

Chegando lá, a moça disse que minha estação já estava reservada e que se eu já quisesse começar a prova, beleza! E lá fui eu. Ela pediu para eu trancar minhas coisas em um armário. Tive que retirar todas as minhas jóias. Não pode entrar com água e comida. Só podemos entrar com a identidade. Lá dentro ela pediu para eu mostrar os bolsos e levantar a barra da calça até o joelho. Para ver se não tem cola. Aí eles me entregaram uma folha de rascunho, um calculadora simples e um lápis. Só! Peguei a estação de número 12.  Na minha mesa tinha até um abafador para minha melhor comodidade. Cadeira super confortável, tela tamanho gigante, temperatura ambiente agradável. Tudo muito profissional. Tinha outras pessoas fazendo outras provas. Acho que devia ter uns 20 computadores. E um baita de um silêncio. Comecei a ler as instruções da prova com calma. Mas estava tremendo um pouco de nervoso. No final das instruções, aproveitei para escrever todas as fórmulas na folha de rascunho. Essa era uma recomendação que tinha lido em um site e que achei que poderia ser útil. Quando terminei, cliquei no botão start e comecei a minha maratona de 4h de prova.

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Primeira pergunta: não tenho ideia. Segunda pergunta: sem noção. Terceira pergunta: pqp!!! Gente… foram cerca de 50 perguntas que eram praticamente impossíveis de responder. Não tinha nada a ver com o conteúdo que eu tinha estudado. Quer dizer … tinha! Mas era assunto de rodapé, sabe? Eu sabia que ia ser difícil mas aquilo já era demais. Quando terminei as primeiras 50 perguntas e olhei o relógio no topo da tela, meu olho encheu de lágrimas. Eu não tinha gerenciado bem o meu tempo. E ainda tinha mais 150 questões pela frente. Pensa comigo: eu estava fazendo a prova em inglês. Por mais que eu fale bem a língua, não sou nativa. Demoro um pouco mais para interpretar os textos. É natural. Mas nesse momento, respirei fundo. Limpei as lágrimas e rezei. Pedi sabedoria, tranquilidade e … se eu não passasse dessa vez, tudo bem. Eu poderia tentar mais uma vez! Foi então que me tranquilizei e fui seguindo. Tirei um peso das costas e parei de me cobrar. As questões continuaram muito difíceis. Mas eu procurei ler os textos de forma mais dinâmica e uma vez tomada a decisão, respondia a pergunta da melhor forma possível e passava para próxima. De forma muito pragmática. He!! Ho!!  Let´s Go, como dizem os Ramones. As últimas 30 perguntas, estavam relativamente fáceis. Mas até nessas eu fazia uma leitura mais cuidadosa para ver se não tinha alguma pegadinha. Essas eu não podia errar de jeito nenhum! Terminei a prova quando faltava cerca de 20 minutos para acabar meu tempo. Praticamente não dava tempo de revisar nada! Então apertei END. E finalizei minha prova.

Gente… que tensão. Nesse momento, a tela dá uma travada e começar a rodar, rodar rodar. E aí aparece um texto assim: “Você pode responder um survey sobre a Prometrics antes de darmos o seu resultado?”

Jura? Pensei comigo: isso lá é hora de responder survey????? Mas tudo bem. Me tomou um minutinho só, que óbvio: me pareceu uma eternidade. Quando terminei o survey, apareceu na tela imediatamente o meu resultado: CONGRATULATIONS! YOU PASSED. Logo abaixo, veio um detalhamento da minha performance por grupo de processo e uma escala de performance no geral: above target! Eu fiquei ali parada. Olhando para tela. Chorando. De felicidade! Eu tremia. Não estava acreditando. Eu dava um scroll down e depois um scroll up … só para ver se estava certo aquele negócio. Não é possível! Eu passei. Eu passei. EU PASSEI!!!!

Bom… fechei minha tela e fui lá fora com os olhos cheios de lágrimas. O inspetor ficou me olhando de rabo de olho enquanto terminava de preencher as burocracias dele lá! Aí não aguentei e acabei dividindo com aquele estranho mesmo, o tamanho da minha felicidade: I passed. I have studied so hard. And I passed. I still cannot believe it!

E ele abriu um sorriso, pela primeira vez e disse: Parabéns. O pessoal que faz essa prova com a gente comenta que ela é realmente muito difícil!

Depois de assinar toda a documentação, me acalmei e fui para o carro. Liguei para o Valdinho, para os meus pais e para minha sogra para contar a novidade. E peguei estrada de volta para casa.

No dia seguinte, me mandaram o meu certificado online com o meu número de certificação e o meu reporte final. A versão física vem depois por correios.

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Fim

É isso aí gente. Sou uma PMP. Estudei como se não houvesse amanhã. E eu consegui. Na minha primeira tentativa. E com um resultado acima do que eu havia antecipado. A prova é realmente muito difícil. Especialmente no começo. Acho que o objetivo é  justamente esse: ver se o candidato consegue manter a calma mesmo sob pressão. Afinal, no mundo corporativo, o negócio funciona assim. Precisamos sempre manter a compostura e focar na resolução do problema. As vezes a gente dá aquela titubeada. Natural…  somos seres humanos. Mas nessas horas, a gente respira fundo, agarra o touro pelo chifre e vai à luta! Não tem outro jeito. Ou tem?

E é isso aí … a luta continua. Minha esperança é que, com essa certificação, eu consiga um emprego. Esse é o meu principal objetivo. Vocês já viram Mazinha dar ponto sem nó? 😃

Sem contar que foi muito legal poder retomar os estudos. Eu sempre gostei de estudar, mas confesso que estava enferrujada e foi difícil pegar no tranco. Acho que estava precisando botar o Tico e o Teco para funcionarem um pouco. Inclusive, fiquei tão animada, que estou até pensando em engatar algum outro curso. Algo Online mesmo, pois como New Bern é meio que longe de tudo fica difícil fazer algo de corpo presente em alguma universidade mais bacana. A Duke fica a 2 horas daqui, mas mesmo assim, me complica. Já vi alguns cursos online na Sloan do MIT e na própria Duke. Só preciso refletir um pouco qual curso fazer: Digital Marketing, Design Thinking… enfim! Tenho que pensar. Até porque o investimento é alto.

Mas é isso aí pessoal. Nada nessa vida vem de bandeja. Pelo menos para maioria das pessoas, não é mesmo? A gente tem que ralar mesmo. Mas vamos combinar: depois de tanto esforço, o gostinho da vitória é bem mais saboroso, tô certa ou errada?

Boa semana para todos!

Beijos

Ma